O presidente da Cùmara dos Deputados, Hugo Motta, anunciou nesta sexta-feira (7) o deputado Guilherme Derrite (PP-SP) como relator do projeto de lei antifacção, apresentado pelo governo federal após a operação que deixou 121 mortos no Rio de Janeiro. A proposta deve ser transformada em um Marco Legal do Combate ao Crime Organizado.

Derrite, que atĂ© quarta-feira (5) ocupava o cargo de secretĂĄrio de Segurança PĂșblica de SĂŁo Paulo, reassumiu o mandato parlamentar para relatar o texto no plenĂĄrio. Segundo Motta, a escolha do parlamentar da oposição para relatar um projeto do governo busca garantir uma tramitação tĂ©cnica e ampla, com diĂĄlogo entre bancadas.
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O projeto apresentado pelo governo tem carĂĄter de urgĂȘncia e propĂ”e endurecimento das penas para integrantes de facçÔes criminosas, alĂ©m de ampliar as ferramentas de investigação. O texto cria a figura da âorganização criminosa qualificadaâ, com penas de 8 a 15 anos de prisĂŁo para quem exercer controle territorial ou econĂŽmico mediante violĂȘncia ou intimidação. Em casos de homicĂdio praticado em nome da facção, a pena pode chegar a 30 anos.
TambĂ©m hĂĄ previsĂŁo de agravantes, como o envolvimento de menores, uso de armas de fogo de uso restrito, infiltração de agentes pĂșblicos e ligaçÔes com organizaçÔes transnacionais. O projeto autoriza ainda o acesso a dados de geolocalização e transaçÔes financeiras de investigados e prevĂȘ a criação de um Banco Nacional de FacçÔes Criminosas.
Substitutivo
ApĂłs ser confirmado relator, Derrite anunciou que apresentarĂĄ um substitutivo ao texto original, incorporando pontos enviados pelo governo, mas com mudanças consideradas âessenciaisâ para fortalecer o combate ao crime organizado. Entre as alteraçÔes, estĂŁo:
- aumento da pena para 20 a 40 anos em casos de domĂnio de cidades, ataques a presĂdios ou uso de explosivos;
- obrigatoriedade de cumprimento de pena em presĂdios de segurança mĂĄxima para lĂderes de facçÔes;
- proibição de anistia, graça, indulto, liberdade condicional e corte do auxĂlio-reclusĂŁo para familiares de condenados por esses crimes;
- aumento da progressĂŁo de regime de 40% para 70% do cumprimento da pena.
A expectativa Ă© que o texto de Derrite nĂŁo inclua a equiparação entre facçÔes criminosas e terrorismo, tema tratado em outro projeto. Essa proposta criou polĂȘmica, por abrir brechas para intervençÔes estrangeiras no Brasil.
Desrespeito
O anĂșncio gerou reação de parlamentares da base governista. O lĂder do PT na CĂąmara, deputado Lindbergh Farias (RJ), classificou a escolha de Derrite como um âdesrespeitoâ ao presidente Luiz InĂĄcio Lula da Silva. Em postagem nas redes sociais, Farias afirmou que o projeto Ă© prioridade do governo e que entregĂĄ-lo a um aliado do governador paulista TarcĂsio de Freitas âbeira a provocaçãoâ.
Motta Ă© prĂłximo de Derrite e de TarcĂsio, ambos aliados em pautas de segurança pĂșblica. Nas redes sociais, o presidente da CĂąmara nĂŁo justificou a escolha de Derrite, apenas anunciou a decisĂŁo. Na quinta-feira (6), ele se reuniu com o presidente Lula, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para discutir a tramitação de propostas relacionadas ao tema.
Votação remota
A Cùmara deverå analisar o projeto em regime semipresencial, modalidade que permite votação remota pelos deputados, autorizada devido à realização da COP 30, em Belém.
A previsĂŁo Ă© que o Marco Legal do Combate ao Crime Organizado seja votado ainda neste ano pelos deputados e senadores.

