Edward Gibbons, em “The History of the Decline and Fall of the Roman Empire”, nos diz que o Império Romano se desfez devido ao desequilíbrio de sua economia e quebra de seus valores. E Arnold Toynbee, em “A Study of History”, nos fala sobre as “Elites Criativas”, que formam e dão rumo a um país, decaindo quando seus objetivos e valores se quebram.
O Estados Unidos da América foi fundado dentro dos princípios da liberdade e do mercado, hoje deixados de lado, na quebra dos princípios consensuais. A competição internacional, da China e dos países Asiáticos, diminui a importância relativa dos Estados Unidos, que se resguarda dentro de princípios opostos aos originais, do protecionismo a da abolição das liberdades. E não é somente Trump que assim o quer, mas também a sociedade americana.
A China, e a Índia, vão paulatinamente prevalecendo na hegemonia mundial.
Os Estados Unidos foram reduzidos de sua participação de 40% no PIB mundial em 1960 para 26% em 2024. A economia se retrai, com a compressão das classes médias. Toda vez que as classes médias são comprimidas, surge o campo para o radicalismo político por parte de líderes e da população. Somente os sistemas hegemônicos são providos de consenso, o que faz uma nação. A frustração transforma-se em ódio, na simbiose entre o líder e o liderado.
E decai a grande nação. Os efeitos são o reverso do pretendido, na morte da semente do que o fez. No que mais se tenta o oposto, mais se desfaz a sociedade. A civilização traz em seu âmago o que a fez subir e o que a faz esvanecer.
E todo declínio é conflitivo, com violência e guerras, sem complacência, e sem aceitação.
O homem tem pouca visão da história, e do futuro,
É uma pena que isto assim aconteça.
Ricardo Guedes é Ph.D. em Ciências Políticas pela Universidade de Chicago e Autor do livro “Economia, Guerra e Pandemia: a era da desesperança”

