Pai que chamou a polícia por causa de desenho de matriz africana é policial militar

Ação do PM mobilizou 12 agentes e gerou denúncias de intimidação contra funcionários, provocando reação da comunidade escolar

A Secretaria da Segurança Pública confirmou que o pai que chamou uma guarnição da Polícia Militar para dentro de uma escola de educação infantil é um PM da ativa. O soldado, cujo nome não será divulgado para preservar a identidade da criança, acionou colegas de farda após não concordar com um desenho de matriz africana realizado pela filha em sala de aula.

Ação do PM mobilizou 12 agentes e gerou denúncias de intimidação contra funcionários, provocando reação da comunidade escolar/Foto: Reprodução

Relatos de funcionários e responsáveis afirmam que doze policiais entraram na unidade, entre eles um agente portando armamento de alto calibre. Uma servidora contou que chegou a ser encurralada contra a parede e que uma arma teria sido pressionada contra seu corpo durante a abordagem, que, segundo ela, durou mais de uma hora. Testemunhas ainda relatam que houve gritos e tensão entre os PMs e os profissionais da escola.

A ocorrência foi registrada no dia 11 de novembro, depois que o pai policial alegou que a filha estaria sendo exposta a uma suposta “aula de religião africana” por conta de um desenho com o nome “Iansã”, orixá associado aos ventos. A escola afirma que se tratava apenas de uma atividade pedagógica sobre diversidade cultural.

A funcionária que se sentiu ameaçada registrou boletim de ocorrência contra o policial. Ele também registrou BO, negando ter danificado materiais da sala ao retirar o desenho da filha.

Indignados com o episódio, moradores e familiares elaboraram um abaixo-assinado em defesa da escola e de seus profissionais, afirmando apoio integral ao trabalho pedagógico e acusando a atuação policial de transmitir informações equivocadas e preconceituosas à comunidade.

G1

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