Com sua criação aprovada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na terça-feira (4/11), o Missão, partido do Movimento Brasil Livre (MBL), vai partir para cima de Tarcísio de Freitas (Republicanos) nas eleições de 2026. Em entrevista ao Metrópoles, o presidente do MBL e pré-candidato do Missão à Presidência nas eleições do ano que vem, Renan Santos, avaliou o governador de São Paulo como um “preposto de Jair Bolsonaro” e “sem perfil de líder”.
Santos disse ainda não dar como certa a candidatura de Tarcísio, nome preferido pelo mercado financeiro e pelo Centrão para a disputa presidencial. O líder do MBL também criticou o governador por sua suposta “falta de imaginação”.
“Eu não dou como favas contadas que o Tarcísio será o candidato deles [do Centrão]. Eu concordo que ele é o nome principal, o nome sonhado por eles e pelo mercado financeiro também. O Tarcísio é um engenheiro — inclusive, engenheiro de formação. Então, ele pega uma ideia, vai lá e executa. É um bom aluno. O Brasil tem um grave problema de imaginação política e de imaginação para soluções. O Tarcísio não tem nenhuma imaginação”, afirmou.
Presidente do Missão, Renan dos Santos critica Tarcísio
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O ex-presidente Jair Bolsonaro foi condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado
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Tarcísio de Freitas é criticado pelo presidente do MBL por “falta de liderança”
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Segundo Renan Santos, Tarcísio de Freitas apresenta falhas em uma de suas principais plataformas de campanha: o combate ao crime organizado. “Eu duvido que ele vá tocar uma guerra contra o crime organizado, porque já não faz isso como governador de São Paulo. Ele não age assim aqui no estado, implorando a atenção do Alexandre de Moraes para fazer uma operação lá na Baixada Santista”, criticou.
“Ele [Tarcísio] também não esteve com Cláudio Castro [governador do Rio de Janeiro], dando apoio ao Cláudio Castro. Portanto, nem sequer liderança para o tema ele tem. O Tarcísio, sendo liderado pelos caras do Centrão, jamais vai tocar uma reforma administrativa nos estados, especialmente do Nordeste”, disse Santos.
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“Preposto”
Para Renan Santos, Tarcísio de Freitas foi apontado por Jair Bolsonaro como provável escolha para a disputa presidencial de 2026 por se comportar como um “preposto” do ex-presidente. O líder do MBL avalia, no entanto, que o governador será cobrado durante a campanha por sua proximidade com Bolsonaro.
“Tarcísio é um preposto do Bolsonaro, que vive todos os medos de alguém que tem de ficar com uma espécie de espada sobre a cabeça, aguardando a próxima bronca que vai levar. É um sujeito fraco, sem perfil de liderança — nunca teve”, disse Santos.
“O Tarcísio vai ser cobrado, inclusive, já que ele quer tanto se vincular ao Bolsonaro, por ter ficado calado quando o ex-presidente destruiu a Operação Lava Jato. Se ele é tão contra o crime, se é um cara tão probo, por que se calou quando Bolsonaro colocou o [ex-procurador-geral da República, Augusto] Aras na PGR e promoveu o desmonte da Lava Jato?”, questionou.
“A lealdade dele é tamanha que, quando Bolsonaro apareceu em um caminhão de som, mandou o próprio Tarcísio ligar para as polícias e desligar o som de outro bolsonarista que estava presente na Avenida Paulista — como se o governador de São Paulo fosse um vassalo do Bolsonaro. Já que ele quer ser tão ‘lealzão’, vai ser cobrado por isso. O projeto da direita no Brasil não tem de ser o projeto do Bolsonaro. O Tarcísio faz uma confusão — muito conveniente para ele, eleitoralmente — de achar que o Brasil de direita é o Bolsonaro. Não é”, afirmou o presidente do MBL.

