A PolĂcia Federal (PF) concluiu que o ex-ministro da PrevidĂȘncia Social JosĂ© Carlos Oliveira atuou como âpilar institucionalâ para o funcionamento do esquema de descontos nĂŁo autorizados nos benefĂcios de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

A conclusão estå no relatório de investigação que baseou a decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a deflagração da nova fase da Operação Sem Desconto, da PF.
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Na manhĂŁ desta quinta-feira (13), Oliveira foi um dos alvos da PF e passou a ser monitorado por tornozeleira eletrĂŽnica.
Durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, Oliveira foi presidente do INSS, diretor de benefĂcios do ĂłrgĂŁo e ministro da PrevidĂȘncia, pasta a qual o ĂłrgĂŁo estĂĄ subordinado.
De acordo com a investigação, Oliveira autorizou repasses ilegais e recebeu vantagens indevidas. No relatĂłrio, ele tambĂ©m Ă© citado pelo nome religioso de Ahmed Mohamad Oliveira.Â
ApĂłs apreender uma planilha, os investigadores conseguiram identificar o recebimento de pelo menos R$ 100 mil de propina de empresas de fachada. Segundo a PF, ele foi citado pelos codinomes âSĂŁo Paulo e Yasserâ.Â
AlĂ©m disso, a PF apontou que, em junho de 2021, na condição diretor de benefĂcios, Oliveira assinou a liberação de R$ 15,3 milhĂ”es para a Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer) sem a devida comprovação das filiaçÔes de aposentados Ă entidade.
A liberação incluiu cerca de 30 listas fraudulentas, que permitiram descontos em 650 mil benefĂcios.
âEssa liberação foi feita em desacordo com o regulamento interno e sem exigir documentos comprobatĂłrios, o que possibilitou que a Conafer retomasse e ampliasse a fraude de descontosâ, diz a decisĂŁo de Mendonça.
Ministro
A PF tambĂ©m apontou que hĂĄ indĂcios de que o esquema continuou durante o perĂodo em que Oliveira assumiu o cargo de ministro da PrevidĂȘncia Social.
âVĂĄrias das mensagens interceptadas pela PF geram fortes indĂcios de que o esquema criminoso envolvendo o investigado JosĂ© Carlos Oliveira estava em pleno funcionamento tambĂ©m no perĂodo em que ele era ministro de Estado do Trabalho e PrevidĂȘncia Social do Brasil”.Â
Como exemplo, a PF cita podemos citar mensagens de whatsapp e indĂcios de que valores obtidos ilicitamente foram repassados a Oliveira quando ele era ministro de Estado.
Outro ladoÂ
A AgĂȘncia Brasil nĂŁo conseguiu localizar a defesa do ex-ministro. O espaço estĂĄ aberto para manifestação.Â
Em nota, a Conafer disse que estĂĄ disposta a cooperar com as autoridades para elucidação dos fatos e defendeu a presunção de inocĂȘncia de integrantes da confederação, que tambĂ©m foram alvo da nova fase da operação.
âNĂłs reafirmamos, com veemĂȘncia, o princĂpio basilar do Estado de Direito: a presunção de inocĂȘncia. Todos os citados nela tĂȘm o direito processual e moral de ter sua defesa assegurada e sua honra preservada enquanto nĂŁo houver decisĂŁo judicial condenatĂłria definitiva. A Conafer confia nas instituiçÔes e, ao mesmo tempo, exige que sejam respeitados os direitos fundamentais dos investigadosâ, declarou a entidade.Â

