PMs armados entram em escola após denúncia sobre atividade cultural afro-brasileira

Funcionários relatam constrangimento e coação durante abordagem provocada por mal-entendido sobre proposta pedagógica

Quatro policiais militares armados, um deles portando uma metralhadora, circularam pelas dependências de uma escola de educação infantil após uma denúncia feita pelo pai de uma aluna, que alegava que a instituição estaria obrigando a filha a participar de uma “aula de religião africana”. A denúncia teve como base um desenho com o nome “Iansã”, feito pela criança.

Funcionários relatam constrangimento e coação durante abordagem provocada por mal-entendido sobre proposta pedagógica/Foto: Reprodução

Segundo uma funcionária da escola, que preferiu não se identificar, a presença dos policiais provocou medo e constrangimento entre os trabalhadores e familiares dos alunos. Ela afirma que foi interpelada pelos agentes durante cerca de 20 minutos. O caso ocorreu na Emei Antônio Bento, na Zona Oeste de São Paulo, na última terça-feira, 11 de novembro de 2025.

A Secretaria da Segurança Pública informou que a Polícia Militar instaurou uma apuração para investigar a conduta dos policiais, incluindo a análise das imagens das câmeras corporais utilizadas na ação. Já a profissional da escola explicou que o trabalho com elementos da cultura afro-brasileira faz parte do “currículo antirracista” adotado oficialmente pela rede municipal.

Em nota, a Secretaria Municipal da Educação esclareceu que a atividade com o nome “Iansã” fazia parte de uma produção coletiva do grupo, integrada ao conteúdo obrigatório do Currículo da Cidade de São Paulo, que inclui o ensino da história e cultura afro-brasileira e indígena. A pasta, no entanto, não comentou a atuação da PM dentro da unidade escolar.

G1

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