Polícia Civil indicia 12 pela execução do ex-delegado-geral Ruy Ferraz

Por MetrĂłpoles 14/11/2025

A Polícia Civil de São Paulo concluiu, nessa quinta-feira (13/11), o primeiro dos inquéritos que investigam a execução do ex-delegado-geral Ruy Ferraz Fontes, morto em uma emboscada em 15 de setembro em Praia Grande, no litoral paulista. Sete suspeitos foram indiciados por homicídio e organização criminosa e cinco por organização criminosa; 10 estão presos e dois seguem foragidos.

A investigação apontou que os envolvidos no crime se dividiram em dois grupos: o primeiro atuou diretamente no homicídio do ex-delegado, e o segundo atuou no suporte à ação – seja com o transporte de armas ou com o apoio na fuga.

Execução do secretårio e ex-delegado

Um vídeo capturado por cùmeras de segurança mostra o momento em que os envolvidos deram início à emboscada. Os criminosos estacionaram o carro em uma rua perto da Prefeitura de Praia Grande, onde a vítima trabalhava como titular da Secretaria de Administração, às 18h02. Outras imagens mostram o momento em que o delegado bate o carro em um Înibus e é alvo de fuzilamento.

Veja:

Veja quem são os indiciados e a participação de cada um no crime

  • Paulo Henrique Caetano Sales, conhecido como PH: Ă© um dos atiradores e fez a chamada “contenção”, impedindo a aproximação de outras pessoas. Ele chegou na cena do crime em uma Hilux preta. Ele foi preso em 24 de outubro.
  • Luis AntĂŽnio Rodrigues de Miranda, conhecido como GĂŁo: ele dirigia a Hilux que deixou PH na cena do crime. EstĂĄ foragido.
  • Umberto Alberto Gomes: Ă© o atirador que mais atingiu Ruy, com 20 disparos de fuzil. ApĂłs o crime, ele fugiu para o ParanĂĄ e morreu em um confronto com policiais civis, em 30 de setembro.
  • Rafael Marcel Dias SimĂ”es, conhecido como Jaguar: apontado como um dos atiradores e identificado como membro do Primeiro Comando da Capital (PCC), ele se entregou Ă  polĂ­cia em SĂŁo Vicente, litoral paulista, em 20 de setembro.
  • Marcos Augusto Rodrigues Cardoso, conhecido como Fiel: ele seguiu o ex-delegado e entĂŁo secretĂĄrio da Administração da Praia Grande quando a vĂ­tima deixava o prĂ©dio da prefeitura. Fiel dirigia um Logan branco e foi quem deu o sinal para os atiradores entrarem em ação. Ele foi preso em 3 de novembro.
  • Felipe Avelino da Silva, conhecido como Mascherano: envolvido com a fuga, ele deixou a chave dentro de um Renegade prata, o que impediu que o grupo usasse o carro para fugir. Ele foi preso em 6 de outubro.
  • FlĂĄvio Henrique Ferreira de Souza: tambĂ©m envolvido com a fuga, foi identificado a partir de impressĂ”es digitais deixadas dentro do Renegade. EstĂĄ foragido.
  • William Silva Marques: proprietĂĄrio de uma casa em Praia Grande, prĂłxima ao local da emboscada, que foi usada como escritĂłrio pelos criminosos. Sabia da finalidade do uso do imĂłvel antes de alugĂĄ-lo. Ele foi preso em 21 de setembro.
  • Cristiano Alves da Silva, conhecido como Cris Brown: dono de uma casa em MongaguĂĄ, tambĂ©m usada como centro de logĂ­stica pelo grupo. Sabia da finalidade do uso do imĂłvel antes de alugĂĄ-lo. Ele foi preso em 17 de outubro.
  • Dahesly Oliveira Pires: namorada de um dos atiradores, foi presa em 18 de setembro por ter buscado um dos fuzis usados no crime em uma casa em Praia Grande, no dia seguinte Ă  execução.
  • JosĂ© Nildo da Silva: ele seria um dos atiradores e foi gravado por cĂąmeras de monitoramento chegando armado Ă  casa em ItanhaĂ©m. Na ocasiĂŁo, ele dava cobertura a Umberto Alberto Gomes, que estava escondido no endereço. Foi preso em 21 de outubro.
  • Luiz Henrique Santos Batista, conhecido como FofĂŁo: ajudou Jaguar a fugir da Baixada Santista e chegar atĂ© a Grande SĂŁo Paulo, logo apĂłs o crime. Foi preso em 19 de setembro.
  • Danilo Pereira Pena, conhecido como MatemĂĄtico: designou FofĂŁo para realizar o transporte de Jaguar do litoral para a regiĂŁo metropolitana. Foi preso em 16 de outubro.

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A execução do ex-delegado-geral da Polícia Civil Ruy Ferraz Fontes

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O velĂłrio do ex-delegado-geral da PolĂ­cia Civil Ruy Ferraz Fontes

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O velĂłrio do ex-delegado-geral da PolĂ­cia Civil Ruy Ferraz Fontes

Valentina Moreira/MetrĂłpoles

O relatĂłrio final, obtido pelo MetrĂłpoles, indica ainda que um 13Âș envolvido, que estaria no banco de trĂĄs da Hilux e tambĂ©m seria um atirador, ainda nĂŁo foi formalmente identificado. No entanto, a polĂ­cia afirma que jĂĄ tem o nome de um suspeito.

O inquĂ©rito policial foi encaminhado nessa quinta-feira ao MinistĂ©rio PĂșblico de SĂŁo Paulo (MPSP). O Departamento de HomicĂ­dios e Proteção Ă  Pessoa (DHPP) e a promotoria vĂŁo pedir Ă  Justiça pela prisĂŁo preventiva dos acusados, por tempo indeterminado.

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Motivação do crime e outras investigaçÔes

Segundo a Polícia Civil, a investigação aponta que a emboscada foi planejada e executada por integrantes do PCC. Ruy ficou conhecido por atuar diretamente no combate à facção criminosa e ser jurado de morte pelos membros do grupo.

Apesar disso, ainda hå a suspeita de corrupção em contratos da Prefeitura de Praia Grande. Atuando como secretårio da Administração municipal, Ruy estaria investigando de perto os indícios de irregularidades, o que pode ter levado a uma retaliação letal. Outro inquérito policial foi instaurado para apurar a hipótese.

Além disso, a Polícia Civil, em conjunto com o MPSP, instaurou um terceiro inquérito para identificar os mandantes e outros criminosos que possam ter participado da ação.

De acordo com os investigadores, o objetivo Ă© que sejam instaurados dois processos distintos. O primeiro deve julgar os rĂ©us acusados somente de organização criminosa, enquanto o segundo irĂĄ julgar aqueles acusados de homicĂ­dio e organização criminosa. Nesse caso, os suspeitos devem ser submetidos ao Tribunal do JĂșri.

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