A manhã desta quarta-feira (12) foi marcada por tumulto e atrasos na entrada da Zona Verde (Green Zone), espaço da COP30 voltado a atividades da sociedade civil, em Belém. O acesso ao local, que reúne indígenas, ONGs e empresas privadas, foi liberado com uma hora de atraso e, pouco depois, interrompido novamente sem explicação clara, gerando filas sob o forte sol e protestos de participantes que gritavam “libera, libera”.
De acordo com relatos de pessoas que chegaram cedo, os seguranças informaram que a suspensão temporária das entradas ocorreu por “medo de um novo protesto”, em referência à manifestação que havia ocorrido na noite anterior. Os portões, que deveriam ser abertos às 9h, só foram liberados por volta das 10h, mas logo voltaram a ser fechados, atrasando o início de diversos painéis previstos para a manhã.
Seguranças alegaram medo de novo protesto após tumulto registrado na noite anterior/Foto: Reprodução/O Globo
Até mesmo funcionários credenciados foram impedidos de entrar, apesar de terem acesso antecipado. O governador do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), chegou a ser barrado na porta. Segundo informações da produtora GR Eventos, responsável pela operação da área, a Polícia Federal orientou o reforço dos aparelhos de raio-X e determinou que o local não operasse em sua capacidade máxima de 9 mil pessoas, por conta da presença de ministros de Estado e autoridades internacionais.
Além da tensão, uma breve queda de energia chegou a afetar os equipamentos de raio-X antes da abertura dos portões. Perto das 11h, cerca de 8.200 pessoas já estavam dentro da Zona Verde, o que levou à nova orientação de fechamento temporário do acesso.
Dentro do espaço, os protocolos de segurança foram intensificados: seguranças conferiam crachás com mais rigor e havia maior número de voluntários nas entradas das salas.
O episódio ocorreu após o protesto da noite de terça-feira (11), quando um grupo de manifestantes rompeu as barreiras de segurança na entrada principal da COP, na Zona Azul (Blue Zone) — área onde ocorrem as negociações entre países. O incidente causou tumulto, ferimentos leves em dois seguranças e danos superficiais ao local.
Tanto a equipe de segurança brasileira quanto a da Organização das Nações Unidas (ONU) adotaram medidas imediatas para proteger o evento, seguindo os protocolos oficiais. O governo brasileiro e a ONU investigam o caso, e a Polícia Federal abriu inquérito para apurar a invasão. As autoridades reforçaram que as negociações da COP30 continuam normalmente e o local está seguro.
