Presidente do STM aponta tom misĂłgino em crĂ­tica de ministro

Por AgĂȘncia Brasil 04/11/2025 Ă s 15:03


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A presidente do Superior Tribunal Militar (STM), ministra Maria Elizabeth Rocha, disse nesta terça-feira (4) que o ministro Carlos Augusto Amaral Oliveira usou “tom misĂłgino” ao criticĂĄ-la por ter pedido perdĂŁo pelas omissĂ”es da Justiça Militar durante a ditadura militar.Presidente do STM aponta tom misĂłgino em crĂ­tica de ministroPresidente do STM aponta tom misĂłgino em crĂ­tica de ministro

A declaração foi feita durante a abertura da sessão desta tarde, a primeira após o ministro criticar Maria Elizabeth.

NotĂ­cias relacionadas:

No dia 25 de outubro, a ComissĂŁo Arns e o Instituto Vladimir Herzog realizaram um ato ecumĂȘnico na Catedral da SĂ©, em SĂŁo Paulo, para rememorar os 50 anos do assassinato do jornalista Vladimir Herzog.

Durante o ato, Maria Elizabeth, na condição de presidente do tribunal, pediu perdĂŁo pelos “erros e as omissĂ”es judiciais” a todos que sofreram lutando pela liberdade no Brasil. A ministra foi aplaudida durante sua fala.


Brasília (DF), 04/11/2025 - O ministro do STM Carlos Augusto Amaral Oliveira. Foto: STM/Divulgação

Ministro do STM Carlos Augusto Amaral Oliveira. Foto: STM/Divulgação

Na Ășltima quinta-feira (30), Carlos Augusto, um dos integrantes da AeronĂĄutica que compĂ”em o STM, pediu a palavra durante a sessĂŁo para criticar a ministra, que nĂŁo estava presente, e disse que ela “precisa estudar um pouco mais” a histĂłria do STM e que a presidente nĂŁo falou em nome do tribunal.

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Na sessĂŁo de hoje, Maria Elizabeth Rocha leu um discurso para protestar contra a fala do colega e disse que considerou a crĂ­tica desrespeitosa e misĂłgina.

“A divergĂȘncia de ideias Ă© legĂ­tima. O que nĂŁo Ă© legĂ­timo Ă© o tom misĂłgino, travestido de conselho paternalista sobre estudar um pouco mais a histĂłria da instituição, adotado pelo interlocutor. Uma instituição que integro hĂĄ quase duas dĂ©cadas e bem conheço. Essa agressĂŁo desrespeitosa nĂŁo atinge apenas esta magistrada, atinge a magistratura feminina como um todo, a quem devo respeito e proteção”, afirmou.

A presidente afirmou ainda que o ato simbĂłlico de perdĂŁo nĂŁo foi realizado com “intuito de humilhação” ou com cunho polĂ­tico-partidĂĄrio.

“Cumpre-me esclarecer que o gesto de pedir perdĂŁo nĂŁo revisou o passado com intuito de humilhação, nem, tampouco, revestiu-se de ato polĂ­tico-partidĂĄrio. Foi ato de responsabilidade pĂșblica, inscrito na melhor tradição das instituiçÔes que reconhecem falhas histĂłricas, para que nĂŁo se repitam”, completou.

ApĂłs a fala da ministra, foi iniciado um bate-boca. O ministro repetiu que nĂŁo deu delegação para Maria Elizabeth falar em nome dele. Em seguida, ela rebateu: “Nem quero”.  

Perfil

A ministra Maria Elizabeth Rocha foi a primeira mulher nomeada para o tribunal militar em 217 anos de funcionamento do ĂłrgĂŁo.

A ministra compÔe o STM desde 2007, quando foi indicada durante o primeiro mandato do presidente Luiz Inåcio Lula da Silva.

Em setembro deste ano, a ministra VerÎnica Abdalla Sterman se tornou a segunda mulher a integrar o STM. Ela também foi nomeada por Lula.

Ambas ocupam as cadeiras destinadas aos ministros civis.

O STM Ă© composto por 15 ministros, sendo cinco civis e dez militares, cujas cadeiras estĂŁo distribuĂ­das entre quatro vagas destinadas ao ExĂ©rcito, trĂȘs Ă  Marinha e trĂȘs Ă  AeronĂĄutica. 

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