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“Prisão do Bolsonaro ajuda a pacificar o país”: diz presidente do PT no Acre

Por Suene Almeida, ContilNet

O vereador André Kamai, presidente do PT no Acre, avaliou, em conversa com o ContilNet, que o cenário político brasileiro não pode ser traduzido como uma simples polarização entre direita e esquerda. Em entrevista ao portal, ele afirmou que o que existe hoje é uma tensão provocada pela extrema direita, enquanto diferentes setores políticos se unem em defesa do regime democrático.

Segundo Kamai, o campo democrático não constitui um “polo” contrário ao radicalismo. Ele destaca que esse grupo reúne representantes da esquerda, do centro e também da direita democrática, todos alinhados na preservação das instituições.

André Kamai é presidente do PT no Acre/Foto: ContilNet

“Na minha opinião, a gente tem uma tensão da extrema direita e uma defesa da democracia. Quem está se posicionando no campo democrático não pode ser considerado um polo. Nós estamos aliados num campo democrático que une parte da esquerda, parte do centro e parte inclusive da direita democrática. Quem tem tentado subverter a democracia brasileira é a extrema direita”, afirmou.

Nós só temos um polo que tem tentado bagunçar e destruir a democracia

Para o parlamentar, a tentativa de ruptura institucional partiu exclusivamente de grupos extremistas que, segundo ele, buscam desestabilizar o país. Kamai sustenta que apenas um dos lados tem atuado para “bagunçar e destruir a democracia”, e que essa atuação não encontra equivalência no campo democrático. Questionado sobre a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro, Kamai afirmou que o desfecho do processo penal tende a diminuir tensões e ajudar na pacificação nacional.

“Então, na verdade, nós só temos um polo que tem tentado bagunçar e destruir a democracia. Eu penso que essa medida, ela, na verdade, pacifica o país. Porque ela tira a possibilidade de aqueles que tentam e que acreditam que podem ascender ao poder por meio de golpe e não por meio da democracia”, argumentou.

André Kamai defende que responsabilização de golpistas fortalece a democracia

O vereador também avalia que o atual momento político pode trazer efeitos positivos à estabilidade do país. Ele acredita que o cumprimento da lei por parte de figuras acusadas de tentar subverter a ordem constitucional reforça a segurança democrática e reduz o espaço para discursos golpistas. Kamai defende que todos os envolvidos devem cumprir regularmente suas penas, assim como qualquer cidadão que comete infrações.

Mesmo com o processo encerrado, Bolsonaro não será levado à Papuda e permanecerá na PF | Foto: Reprodução

“Com certeza a prisão do Bolsonaro e dos demais aliados dele, dos generais que foram presos, que comprovadamente tentaram dar um golpe de Estado, responderam a um processo e foram condenados. Assim como todas as outras pessoas que cometeram crimes no Brasil, eles estão sujeitos à lei e agora vão cumprir suas penas”, disse.

Kamai reforçou que a prisão de militares e aliados do ex-presidente, condenados por participação nas tentativas de ruptura, segue a mesma lógica de responsabilização. Ao final, o presidente do PT no Acre destacou que o respeito às instituições e ao resultado das urnas é fundamental para impedir retrocessos.

STF confirma permanência de Bolsonaro e aliados na prisão após audiências de custódia

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, nesta quarta-feira (26), manter as prisões do ex-presidente Jair Bolsonaro e de seus principais aliados envolvidos na tentativa de golpe de Estado. A decisão veio após a realização das audiências de custódia, etapa prevista em lei para verificar a legalidade das prisões e eventuais irregularidades no processo de detenção.

As audiências foram conduzidas por juízes auxiliares do ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no STF. Além de Bolsonaro, passaram pelo procedimento o almirante Almir Garnier, ex-comandante da Marinha, e os ex-ministros Anderson Torres, Augusto Heleno, Paulo Sérgio Nogueira e Walter Braga Netto — todos já condenados no processo que apurou a trama golpista.

Cada um dos condenados foi direcionado a locais distintos conforme suas condições funcionais. Bolsonaro permanece em uma sala especial na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília. Os militares Augusto Heleno, Paulo Sérgio e Braga Netto foram encaminhados a instalações específicas das Forças Armadas. Já Anderson Torres, ex-ministro da Justiça, foi levado ao Complexo Penitenciário da Papuda, no Distrito Federal.

O ex-presidente foi condenado por uma série de crimes relacionados à tentativa de ruptura institucional, incluindo organização criminosa armada, tentativa de abolir o Estado Democrático de Direito, golpe de Estado e dano qualificado ao patrimônio da União, além de deterioração de bens tombados. Segundo o STF, as prisões continuam válidas e necessárias diante da gravidade das acusações e das provas reunidas no processo.

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