O cenário da segurança pública em Sena Madureira mudou radicalmente ao longo das últimas três décadas. O que hoje é um batalhão equipado com viaturas modernas, motos-patrulhas, armamento de ponta e até um veículo blindado, já foi um quartel modesto, com recursos extremamente limitados. Uma fotografia histórica, resgatada pela reportagem do programa Radar 104, revela como era o cotidiano da Polícia Militar na época.
O fardamento também revelava as limitações do período: não existiam coletes balísticos, item indispensável nos dias de hoje | Foto: Cedida
30 anos atrás, a então companhia , que hoje corresponde ao 8º Batalhão, contava apenas com um Fusca para o policiamento ostensivo. O famoso “Fusquinha”, também apelidado de Manduquinha, era a única viatura à disposição dos policiais, que precisavam utilizá-lo para todas as ocorrências. Não havia motocicletas, como as usadas atualmente pelo grupamento GIRO, nem armas modernas. O armamento padrão da época era o clássico revólver calibre .38, carregado no coldre.
O fardamento também revelava as limitações do período: não existiam coletes balísticos, item indispensável nos dias de hoje para garantir a segurança dos militares em situações de combate. Apesar disso, os policiais cumpriam o dever com disciplina e coragem.
O reservista conta que, nos fins de semana, a prefeitura cedia um veículo extra para apoiar o patrulhamento | Foto: Cedida
A identificação dos profissionais presentes na fotografia histórica contou com o apoio do sargento aposentado Adalberto Rodrigues, o conhecido Marreirinha, que ingressou na PM em 1987, logo após deixar o Exército Brasileiro. Ele lembra bem da realidade enfrentada naquela época. Aparecem no registro fotográfico épico, os seguintes veteranos: Getúlio, Caetano, Joacir, Tamarana, Marreirinha, Chico Camburão, Eliecir, Alfredo, Oseias, Orione, Normando e Andrade.
“Não é que a polícia não fosse respeitada e nem aparelhada , mas as condições eram muito diferentes, mas eram compatíveis com a realidade do período histórico. Recordo do box da polícia que tínhamos na Praça 25 de Setembro, de onde partíamos para atender as ocorrências”, relembra o sargento Marreirinha.
O reservista conta que, nos fins de semana, a prefeitura cedia um veículo extra para apoiar o patrulhamento. “Tínhamos que cobrir festas e eventos esportivos, e mesmo assim a cidade era tranquila”, afirma.
Outro ponto marcante era a atribuição de bombeiro. “Tínhamos uma turma que era PMBM, ou seja, PM bombeiros. Auxiliamos nas alegações e tirávamos balseiros da ponte, além de todo serviço relativo a eles, antes da criação do quartel dos bombeiros em Sena Madureira”, relembra
Naquele tempo, o termo “facção criminosa” sequer existia na rotina policial. Em seu lugar, surgiam as chamadas gangues – como a do Bosque, a da Cidade Nova e a do Segundo Distrito. “Quando eles aprontavam, a polícia não dava mole. Íamos lá, identificávamos e levávamos para a delegacia”, relata o sargento, que recebeu homenagens do Comando Geral da PM e da Câmara de Vereadores ao longo de sua carreira. “Fizemos parte de uma geração de policiais marcada pela dedicação, mesmo diante de tantas limitações”, pontua.
Hoje, a realidade é outra. O 8º Batalhão dispõe de uma estrutura robusta, com viaturas novas, equipes especializadas, motos-patrulhas e tecnologia que auxilia no enfrentamento ao crime organizado. Uma diferença que destaca o quanto a segurança pública evoluiu em Sena Madureira.
