Um relatório divulgado durante a COP30, em Belém (PA), acendeu um alerta sobre a presença de facções criminosas em áreas da Amazônia Legal, com destaque para a atuação do Comando Vermelho (CV) no Acre e em Rondônia. Segundo reportagem do jornal O Globo, publicada na terça-feira (11), o grupo estaria grilando fazendas nos dois estados para armazenar carregamentos de drogas que depois são enviados a outras regiões do país.

Relatório aponta atuação do CV em grilagem de terras e tráfico na Amazônia, incluindo o Acre/Foto: Reprodução
As investigações citadas no documento indicam que a facção vem expandindo suas rotas logísticas e usando a estrutura de crimes ambientais para movimentar o tráfico. Há registros de operações conjuntas de madeira ilegal e entorpecentes ao longo da Transamazônica, com o objetivo de mascarar o transporte e facilitar a distribuição. Outro trecho do relatório menciona que, no Rio Solimões, integrantes do CV estariam misturando pescado com cocaína durante o envio das cargas, numa tentativa de driblar cães farejadores e reduzir as chances de apreensão.
O material também descreve que, no interior do Pará, áreas de floresta vêm sendo desmatadas para a abertura de garimpos ilegais, usados como refúgio para criminosos foragidos. Além do Comando Vermelho, há indícios de que o Primeiro Comando da Capital (PCC) também atua nesses pontos, no chamado narcogarimpo uma combinação entre mineração clandestina e tráfico de drogas.
De acordo com o relatório, essa estrutura criminosa tem impactado diretamente o meio ambiente, com aumento do desmatamento, queimadas e contaminação dos rios por mercúrio, fatores que agravam a crise climática na Amazônia e comprometem a segurança das comunidades locais.
“Hoje há mercados criminosos organizados em toda a Amazônia. Os traficantes se ajudam não só nos estados, mas também entre países, formando redes transnacionais. Nosso recado nesta COP30 é que a segurança pública é fundamental para haver desenvolvimento sustentável na região”, afirmou David Marques, gerente de projetos do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, uma das entidades responsáveis pelo estudo.
