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Secretário de Meio Ambiente detalha conquistas do Acre na COP30 em entrevista ao ContilNet

Por Fhagner Soares, ContilNet

O secretário de Meio Ambiente do Acre, Leonardo Carvalho, participou de uma entrevista exclusiva no podcast Em Cena, conduzido pelo apresentador Everton Damasceno, e fez um balanço dos resultados alcançados pelo estado durante a COP30. Ao longo da conversa, o gestor revelou bastidores, desafios e acordos construídos na conferência, apontando que o Acre saiu fortalecido no cenário internacional.

Comitiva do Acre na COP30/Foto: Instagram

Questionado sobre o que a conferência representou para o estado, Carvalho explicou que a preparação da agenda foi construída em conjunto com outras pastas e com a Casa Civil, priorizando dois pontos principais: recuperar a reputação ambiental do Acre e apresentar oportunidades reais de investimento. Ele lembrou que esse processo exigiu maturidade e mudanças internas importantes.

Leonardo Carvalho foi o entrevistado do ContilNet, nesta segunda-feira/Foto: ContilNet

Carvalho contou que participou da COP pela primeira vez em 2021, na Escócia, e que, naquela época, o cenário era outro. “Eu fui com aquele ânimo de fechar negócio e, ao chegar lá, tomei um banho de água fria”, relatou. Na ocasião, o estado enfrentava índices elevados de desmatamento e emissões, o que, segundo ele, inviabilizou qualquer negociação. “Me orientaram a fazer o dever de casa”, disse.

De acordo com o secretário, o Acre mudou essa realidade nos últimos anos. Ele afirma que o governo estadual conseguiu apresentar dados sólidos, com redução nas emissões e avanço nas políticas ambientais. “Eu falei isso para o governador Gladson Cameli e para a vice Mailza: quando eles chegassem na COP, não haveria ninguém para dizer que o Acre estava aumentando emissões”, destacou.

Secretário de Meio Ambiente detalha conquistas do Acre na COP30/Foto: Instagram

Durante a COP30, o estado levou metas de redução de desmatamento e apresentou experiências exitosas, incluindo um painel conduzido pela secretária de Povos Indígenas, Francisca Arara. Ali, foram discutidas iniciativas realizadas nas comunidades tradicionais e anunciado um acordo de captação de recursos com o BNDES, via Fundo Amazônia, destinado a fortalecer as secretarias de povos indígenas dos estados da Amazônia Legal e as próprias terras indígenas.

A bioeconomia também ganhou espaço na representação acreana. Produtores locais exibiram artesanato, produtos extrativistas e iniciativas sustentáveis que, segundo Carvalho, chamaram atenção de investidores e abriram novas portas para comercialização e parcerias.

Além das agendas políticas e ambientais, a COP é conhecida por concentrar autoridades de vários países em um curto espaço de tempo, o que facilita articulações e aproxima governos e instituições. O secretário revelou que a Sema avançou em uma cooperação com a Microsoft para capacitar servidores acreanos no uso de inteligência artificial, especialmente na análise de dados ambientais.

Foi anunciado um acordo de captação de recursos com o BNDES/ Foto: Instagram

Outro destaque foi a assinatura, pelo governador Gladson Cameli, de uma cooperação com a Associação de Universidades da Amazônia, que reúne instituições de diversos países. O acordo prevê intercâmbio acadêmico, pesquisas conjuntas e qualificação de servidores públicos da região.

Na área de créditos de carbono, o Acre segue como um dos estados mais avançados no país, ao lado do Pará e do Tocantins. Carvalho lembrou que o governo mantém diálogo com o banco inglês Standard Chartered, parceiro prioritário na negociação do mercado de carbono. A expectativa é que o estado conclua, nos próximos meses, o processo de certificação, etapa que inclui auditoria realizada por uma verificadora internacional. Após isso, começam os trâmites para que os valores gerados pelas reduções sejam convertidos em investimentos diretos nas comunidades.

Ainda durante a entrevista, o secretário reforçou que o Acre volta da COP30 com portas abertas e com a reputação reconstruída. Segundo ele, o estado vive um novo momento e se posiciona novamente como referência ambiental na Amazônia.

VEJA A ENTREVISTA NA ÍNTEGRA:

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