A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, na manhã desta quarta-feira (26/11), a Operação Vertigem para desarticular um esquema de tráfico de drogas sintéticas que abastecia grupos de alto poder aquisitivo em Cuiabá.
Um servidor público do Judiciário é apontado como responsável por vender “loló”, ecstasy, MDMA, LSD e por organizar rateios de entorpecentes entre clientes selecionados.
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O servidor havia sido identificado ainda em 2023, durante o cumprimento de mandados da Operação Doce Amargo.
Na ocasião, policiais encontraram eletrônicos e documentos que revelavam sua ligação direta com o tráfico. A partir dali, a investigação avançou para mapear a rede de fornecimento que sustentava o esquema.
Fornecedor no Paraguai e droga enviada sob encomenda
Com o aprofundamento das diligências, a Delegacia Especializada de Repressão a Narcóticos (Denarc) descobriu que o servidor mantinha contato frequente com um traficante de Cuiabá, considerado o principal fornecedor do grupo, que hoje está no Paraguai.
De lá, ele enviava as drogas sintéticas diretamente para o Mato Grosso, abastecendo festas privadas e compradores de alto padrão.
A apuração mostrou que o servidor não apenas revendia as substâncias, mas também atuava como articulador: organizava grupos de compra coletiva para dividir grandes carregamentos de drogas, aumentando seus lucros e ampliando a rede de consumidores.
O cardápio criminoso incluía ecstasy, MDMA, LSD, conhecidos como “bala”, “roda” e “doce”, além de loló e lança-perfume.
Mandados em Cuiabá e no Rio de Janeiro
Para interromper o fluxo de abastecimento e identificar outros possíveis envolvidos, a Justiça autorizou 17 ordens judiciais: nove mandados de prisão preventiva e sete de busca e apreensão. As ações foram cumpridas simultaneamente em Cuiabá e no Rio de Janeiro.
Os investigadores acreditam que, além da rede já identificada, o servidor mantinha contato com intermediários em outros estados e conectava compradores de diferentes círculos sociais.
Ação integrada
A Vertigem integra a Rede Nacional de Unidades Especializadas de Enfrentamento às Organizações Criminosas (Renorcrim), que reúne delegados e promotores dos 26 estados e do DF.
A articulação nacional ajuda a rastrear fornecedores que atuam fora do país e a identificar estruturas financeiras que sustentam o tráfico sintético.
A Polícia Civil segue analisando os materiais apreendidos para localizar novos participantes do esquema e ampliar a responsabilização penal do grupo.
