O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou, em decisĂŁo proferida na Ășltima sexta-feira (14/11) a transferĂȘncia de Ronnie Lessa, rĂ©u pela morte de Marielle Franco e Anderson Gomes, para a PenitenciĂĄria IV do Distrito Federal, em BrasĂlia.
Atualmente, ele cumpre pena de 78 anos e 9 meses de prisĂŁo na penitenciĂĄria 2 de TremembĂ©, no interior de SĂŁo Paulo, conhecida como âCadeia dos Famososâ. A unidade prisional abriga presos por crimes de repercussĂŁo ou que correriam risco em convĂvio com os demais detentos.
Desde 20 de junho, Lessa estĂĄ na penitenciĂĄria 1 do Complexo de TremembĂ©, para onde foi enviado por determinação do ministro Alexandre de Moraes. O presĂdio Ă© dominado pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) e estĂĄ superlotado.
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Ex-PM, Ronnie Lessa citou Chiquinho Brazão em investigação sobre Marielle
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31 de outubro â O 4Âș Tribunal do JĂșri do Rio de Janeiro condena Ronnie Lessa e Ălcio Queiroz pelo Assassinato de Marielle Franco. Lessa foi condenado a 78 anos e 9 meses de prisĂŁo, enquanto Ălcio foi condenado a 59 anos e 8 meses de prisĂŁo
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Ronnie Lessa foi preso em 2019 por matar Marielle Franco
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Ronnie Lessa, acusado de matar Marielle Franco e Anderson Gomes
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Foto de registro de Ronnie Lessa na P1 de Tremembé
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Ministro Alexandre de Moraes negou pedido da defesa de Ronnie Lessa
Montagem/Gustavo Moreno/SCO/STF
A unidade tem 1.278 vagas e possui 1.943 internos, situação bastante diferente da P2, que possui capacidade para 348 pessoas e tem 246 presos.
A defesa de Lessa afirma que a permanĂȘncia dele na P1 de TremembĂ© nĂŁo representa um cumprimento do que foi estabelecido em seu acordo de delação premiada, fazendo com que ele esteja sob condiçÔes semelhantes Ă s que encontrava no PresĂdio Federal.
Na petição, o advogado Saulo Carvalho, que representa Lessa, afirma que a P2 de TremembĂ© jĂĄ abrigou âdiversos ex-policiais acusados de participação em grupos de extermĂnioâ.
âA âP1â de TremembĂ© Ă© considerada de segurança mĂĄxima, ou seja, as condiçÔes lĂĄ, em tese, se equiparam ao que o colaborador vivia na PenitenciĂĄria Federal de Campo Grande/MS, encontrando-se atĂ© mesmo, em situação mais rĂgidaâ, afirma Saulo.
âSituação mais rĂgida porque o colaborador permanece completamente isolado do convĂvio social e do contato fĂsico com sua famĂlia, que teriam que vĂȘ-lo atravĂ©s de uma parede de vidro, dividida por uma grade de proteção, e comunicando-se por um interfone do parlatĂłrioâ, complementa o advogado.
PrisĂŁo de Ronnie Lessa
Ronnie Lessa estĂĄ preso desde 2019. Ele passou a maior parte do tempo no sistema federal, que Ă© destinado a lĂderes de facção e criminosos de maior periculosidade. Consideradas de segurança mĂĄxima, as unidades mantĂȘm os custodiados isolados e sob intensa vigilĂąncia.
Em 2023, apĂłs passar por MossorĂł (RN), Porto Velho (RO) e Campo Grande (MS), Ronnie Lessa negociou acordo de colaboração premiada com a PolĂcia Federal (PF). Em troca de pena mais leve, concordou em confessar o assassinato de Marielle, detalhar o planejamento do crime e informar quem seriam os mandantes.
O acordo que estabelecia a transferĂȘncia para SĂŁo Paulo, com o objetivo de deixar Lessa mais perto de sua famĂlia, nĂŁo especifica a unidade prisional para onde Lessa deveria ser transferido. A decisĂŁo caberia Ă Secretaria da Segurança PĂșblica. A pasta entendeu que a P2 de TremembĂ© nĂŁo possuĂa estrutura para realizar o monitoramento de Lessa 24 horas por dias, como estabelecido.
âSalveâ do PCC
Assim que Lessa foi transferido ao sistema prisional de SĂŁo Paulo, o Sindicato dos FuncionĂĄrios do Sistema Prisional do Estado de SĂŁo Paulo (Sifuspesp) disse ter recebido um e-mail denunciando um suposto âsalveâ do PCC para matar o miliciano Ronnie Lessa.
No e-mail, o denunciante afirma que a ordem teria sido interceptada em âpipasâ, como os detentos chamam as mensagens transmitidas por bilhetes. âO âjetâ da cadeia (integrante do PCC responsĂĄvel pelos faccionados da unidade) pediu âbondeâ (transferĂȘncia), porque nĂŁo quer matar essa no peitoâ, diz o texto.
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O denunciante relata que Lessa, por ser ex-policial militar e ligado a milĂcias, Ă© âinimigo juradoâ do PCC. De acordo com o texto, os detentos da unidade estariam sendo âcobrados pelo comando para âzerarâ (matar) eleâ.
Delação
Foram delatados pelo miliciano os irmĂŁos Chiquinho e Domingos BrazĂŁo, que sĂŁo deputado federal e conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro, respectivamente. Ambos negam envolvimento na morte da vereadora.
Ao policiais, o pistoleiro também contou que a motivação do assassinato de Marielle envolvia um esquema milionårio de loteamentos clandestinos na zona oeste do Rio. Entre os milicianos, a vereadora era considerada um entrave para o negócio criminoso.
A delação foi homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Com ela, Ronnie conseguiu os benefĂcios de cumprir 18 anos de prisĂŁo em regime fechado, a contar da sua detenção, e de cumprir pena no sistema estadual.
TransferĂȘncia
Em 20 de junho deste ano, Ronnie Lessa foi transferido para a PenitenciĂĄria 1 de TremembĂ©, no interior de SĂŁo Paulo, cadeia mais perto da famĂlia. Casado, o miliciano tem trĂȘs filhos.
O governo TarcĂsio de Freitas (Republicanos) foi contrĂĄrio Ă transferĂȘncia de Ronnie Lessa para uma cadeia paulista. Em parecer, a Secretaria da Administração PenitenciĂĄria (SAP) afirmou que o Complexo PenitenciĂĄrio de TremembĂ©, conhecido por receber condenados por crimes de grande repercussĂŁo, nĂŁo Ă© de segurança mĂĄxima.
AlĂ©m da morte de Marielle e de Anderson, o miliciano jĂĄ foi investigado por envolvimento com jogo do bicho, trĂĄfico internacional de armas e outros homicĂdios.
No dia da transferĂȘncia para TremembĂ©, o Sindicato dos FuncionĂĄrios do Sistema Prisional do Estado de SĂŁo Paulo (Sifuspesp) tambĂ©m denunciou um suposto âsalveâ do Primeiro Comando da Capital (PCC), que Ă© rival de milicianos, para matar o executor de Marielle Franco.

