STF autoriza transferĂȘncia de Ronnie Lessa de TremembĂ© para BrasĂ­lia

Por MetrĂłpoles 19/11/2025 Ă s 22:04

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou, em decisĂŁo proferida na Ășltima sexta-feira (14/11) a transferĂȘncia de Ronnie Lessa, rĂ©u pela morte de Marielle Franco e Anderson Gomes, para a PenitenciĂĄria IV do Distrito Federal, em BrasĂ­lia.

Atualmente, ele cumpre pena de 78 anos e 9 meses de prisĂŁo na penitenciĂĄria 2 de TremembĂ©, no interior de SĂŁo Paulo, conhecida como “Cadeia dos Famosos”. A unidade prisional abriga presos por crimes de repercussĂŁo ou que correriam risco em convĂ­vio com os demais detentos.

Desde 20 de junho, Lessa estå na penitenciåria 1 do Complexo de Tremembé, para onde foi enviado por determinação do ministro Alexandre de Moraes. O presídio é dominado pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) e estå superlotado.

STF autoriza transferĂȘncia de Ronnie Lessa de TremembĂ© para BrasĂ­lia9 imagens31 de outubro – O 4Âș Tribunal do JĂșri do Rio de Janeiro condena Ronnie Lessa e Élcio Queiroz pelo Assassinato de Marielle Franco. Lessa foi condenado a 78 anos e 9 meses de prisĂŁo, enquanto Élcio foi condenado a 59 anos e 8 meses de prisĂŁoRonnie Lessa foi preso em 2019 por matar Marielle FrancoSTF autoriza transferĂȘncia de Ronnie Lessa de TremembĂ© para BrasĂ­liaRonnie LessaRonnie LessaFechar modal.STF autoriza transferĂȘncia de Ronnie Lessa de TremembĂ© para BrasĂ­liaSTF autoriza transferĂȘncia de Ronnie Lessa de TremembĂ© para BrasĂ­lia1 de 9

Ex-PM, Ronnie Lessa citou Chiquinho Brazão em investigação sobre Marielle

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31 de outubro – O 4Âș Tribunal do JĂșri do Rio de Janeiro condena Ronnie Lessa e Élcio Queiroz pelo Assassinato de Marielle Franco. Lessa foi condenado a 78 anos e 9 meses de prisĂŁo, enquanto Élcio foi condenado a 59 anos e 8 meses de prisĂŁo

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Ronnie Lessa foi preso em 2019 por matar Marielle Franco

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Ronnie Lessa, acusado de matar Marielle Franco e Anderson Gomes

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Foto de registro de Ronnie Lessa na P1 de Tremembé

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Ministro Alexandre de Moraes negou pedido da defesa de Ronnie Lessa

Montagem/Gustavo Moreno/SCO/STF

A unidade tem 1.278 vagas e possui 1.943 internos, situação bastante diferente da P2, que possui capacidade para 348 pessoas e tem 246 presos.

A defesa de Lessa afirma que a permanĂȘncia dele na P1 de TremembĂ© nĂŁo representa um cumprimento do que foi estabelecido em seu acordo de delação premiada, fazendo com que ele esteja sob condiçÔes semelhantes Ă s que encontrava no PresĂ­dio Federal.

Na petição, o advogado Saulo Carvalho, que representa Lessa, afirma que a P2 de TremembĂ© jĂĄ abrigou “diversos ex-policiais acusados de participação em grupos de extermĂ­nio”.

“A ‘P1’ de TremembĂ© Ă© considerada de segurança mĂĄxima, ou seja, as condiçÔes lĂĄ, em tese, se equiparam ao que o colaborador vivia na PenitenciĂĄria Federal de Campo Grande/MS, encontrando-se atĂ© mesmo, em situação mais rĂ­gida”, afirma Saulo.

“Situação mais rĂ­gida porque o colaborador permanece completamente isolado do convĂ­vio social e do contato fĂ­sico com sua famĂ­lia, que teriam que vĂȘ-lo atravĂ©s de uma parede de vidro, dividida por uma grade de proteção, e comunicando-se por um interfone do parlatĂłrio”, complementa o advogado.

PrisĂŁo de Ronnie Lessa

Ronnie Lessa estĂĄ preso desde 2019. Ele passou a maior parte do tempo no sistema federal, que Ă© destinado a lĂ­deres de facção e criminosos de maior periculosidade. Consideradas de segurança mĂĄxima, as unidades mantĂȘm os custodiados isolados e sob intensa vigilĂąncia.

Em 2023, após passar por Mossoró (RN), Porto Velho (RO) e Campo Grande (MS), Ronnie Lessa negociou acordo de colaboração premiada com a Polícia Federal (PF). Em troca de pena mais leve, concordou em confessar o assassinato de Marielle, detalhar o planejamento do crime e informar quem seriam os mandantes.

O acordo que estabelecia a transferĂȘncia para SĂŁo Paulo, com o objetivo de deixar Lessa mais perto de sua famĂ­lia, nĂŁo especifica a unidade prisional para onde Lessa deveria ser transferido. A decisĂŁo caberia Ă  Secretaria da Segurança PĂșblica. A pasta entendeu que a P2 de TremembĂ© nĂŁo possuĂ­a estrutura para realizar o monitoramento de Lessa 24 horas por dias, como estabelecido.

“Salve” do PCC

Assim que Lessa foi transferido ao sistema prisional de São Paulo, o Sindicato dos Funcionários do Sistema Prisional do Estado de São Paulo (Sifuspesp) disse ter recebido um e-mail denunciando um suposto “salve” do PCC para matar o miliciano Ronnie Lessa.

No e-mail, o denunciante afirma que a ordem teria sido interceptada em “pipas”, como os detentos chamam as mensagens transmitidas por bilhetes. “O ‘jet’ da cadeia (integrante do PCC responsĂĄvel pelos faccionados da unidade) pediu ‘bonde’ (transferĂȘncia), porque nĂŁo quer matar essa no peito”, diz o texto.

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O denunciante relata que Lessa, por ser ex-policial militar e ligado a milĂ­cias, Ă© “inimigo jurado” do PCC. De acordo com o texto, os detentos da unidade estariam sendo “cobrados pelo comando para ‘zerar’ (matar) ele”.

Delação

Foram delatados pelo miliciano os irmĂŁos Chiquinho e Domingos BrazĂŁo, que sĂŁo deputado federal e conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro, respectivamente. Ambos negam envolvimento na morte da vereadora.

Ao policiais, o pistoleiro também contou que a motivação do assassinato de Marielle envolvia um esquema milionårio de loteamentos clandestinos na zona oeste do Rio. Entre os milicianos, a vereadora era considerada um entrave para o negócio criminoso.

A delação foi homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Com ela, Ronnie conseguiu os benefícios de cumprir 18 anos de prisão em regime fechado, a contar da sua detenção, e de cumprir pena no sistema estadual.

TransferĂȘncia

Em 20 de junho deste ano, Ronnie Lessa foi transferido para a PenitenciĂĄria 1 de TremembĂ©, no interior de SĂŁo Paulo, cadeia mais perto da famĂ­lia. Casado, o miliciano tem trĂȘs filhos.

O governo TarcĂ­sio de Freitas (Republicanos) foi contrĂĄrio Ă  transferĂȘncia de Ronnie Lessa para uma cadeia paulista. Em parecer, a Secretaria da Administração PenitenciĂĄria (SAP) afirmou que o Complexo PenitenciĂĄrio de TremembĂ©, conhecido por receber condenados por crimes de grande repercussĂŁo, nĂŁo Ă© de segurança mĂĄxima.

Além da morte de Marielle e de Anderson, o miliciano jå foi investigado por envolvimento com jogo do bicho, tråfico internacional de armas e outros homicídios.

No dia da transferĂȘncia para TremembĂ©, o Sindicato dos FuncionĂĄrios do Sistema Prisional do Estado de SĂŁo Paulo (Sifuspesp) tambĂ©m denunciou um suposto “salve” do Primeiro Comando da Capital (PCC), que Ă© rival de milicianos, para matar o executor de Marielle Franco.

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