STF: Primeira Turma ouve Ășltimas defesas do NĂșcleo 3 da trama golpista

Por AgĂȘncia Brasil 12/11/2025


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A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) ouviu nesta quarta-feira (12), em sessĂŁo extraordinĂĄria, as Ășltimas quatro defesas dos rĂ©us do NĂșcleo 3 da trama golpista que tentou manter o ex-presidente Jair Bolsonaro no poder, mesmo apĂłs ser derrotado nas urnas, em 2022. STF: Primeira Turma ouve Ășltimas defesas do NĂșcleo 3 da trama golpistaSTF: Primeira Turma ouve Ășltimas defesas do NĂșcleo 3 da trama golpista

Com isso, todas as defesas dos dez réus foram ouvidas por ao menos uma hora pela Primeira Turma.

NotĂ­cias relacionadas:

O julgamento foi suspenso atĂ© a prĂłxima terça (18), quando o relator, ministro Alexandre de Moraes, deverĂĄ apresentar seu voto, sendo seguido pelos demais ministros que compĂ”em o colegiado: Cristiano Zanin, FlĂĄvio Dino e CĂĄrmen LĂșcia. 

A acusação tambĂ©m apresentou seus argumentos por uma hora. O procurador-geral da RepĂșblica, Paulo Gonet, deu destaque aos planos para monitorar e matar autoridades que foram encontrados durante a investigação.

Para ele, os atos praticados pelo NĂșcleo 3 mostram as “intençÔes homicidas” da trama golpista. 

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Defesas

Nesta quarta (12), o advogado Jeffrey Chiquini, disse que a investigação e a acusação no caso foram falhas por não constatarem que seu cliente, o tenente-coronel Rodrigo Bezerra de Azevedo, não tinha nenhuma ligação com o complÎ bolsonarista. 

“Uma das maiores autoridades em forças especiais do Brasil estĂĄ presa porque o delegado irresponsĂĄvel nĂŁo o investigou”, afirmou o defensor apontando para o militar, Ășnico rĂ©u que compareceu pessoalmente ao julgamento.  

Chiquini sustentou que a Ășnica ligação de Azevedo com a trama foi o fato de ele ter pegado, depois dos fatos apontados na denĂșncia, um novo celular funcional, e que, coincidentemente, foi o mesmo utilizado pelo codinome Brasil em conversas sobre a operação Copa 2022, que teria o objetivo de neutralizar autoridades.

A PF concluiu que Azevedo era Brasil por ele ter colocado no mesmo celular usado pelo codinome um chip registrado com o próprio CPF, semanas após a suposta operação.

Para o advogado, porém, essa foi justamente a intenção de quem dispensou o aparelho no mesmo departamento para o qual o tenente-coronel acabara de ser transferido

“É Ăłbvio que ele Ă© inocente, ele colocou o prĂłprio CPF no celular e usou por seis meses”, disse o defensor. “Ele nĂŁo sabia que esse celular era de origem ilĂ­cita”, acrescentou, apontando que diversos agentes que teriam ido a campo nĂŁo foram identificados atĂ© hoje. 

Da mesma forma, a defesa do tenente-coronel Ronald Ferreira de AraĂșjo JĂșnior tentou desvinculĂĄ-lo de qualquer envolvimento com golpe de Estado. Segundo a acusação, o militar foi um dos autores de uma carta para pressionar comandantes do ExĂ©rcito a aderirem ao movimento golpista. 

Para o advogado Lissandro Sampaio, contudo, nĂŁo hĂĄ nenhuma prova nos autos que o liguem ao NĂșcleo 3 da trama. “Ele nĂŁo participou de nenhuma conversa de bar, de nenhuma reuniĂŁo na casa de quem quer que seja”, disse. 

A defesa apontou que a Ășnica prova contra ele foi uma mensagem com o link para uma carta de pressĂŁo aos comandantes do ExĂ©rcito, que ele encaminhou ao jornalista Paulo Figueiredo. O advogado apontou que ele nĂŁo aprovava e nĂŁo assinou o documento. 

Foi a mesma linha seguida pela defesa do tenente-coronel SĂ©rgio Cavallieri de Medeiros. O advogado Igor LaboissiĂšre Vasconcelos Lima enfatizou que seu cliente tampouco assinou tal documento, que encaminhou para duas pessoas. “Isso Ă© suficiente para condenar a tantos anos de prisĂŁo, por crimes tĂŁo graves?”, indagou. 

O advogado buscou ainda desconsiderar mensagens de teor golpista que foram encontradas no celular do militar, na qual ele falou sobre matar o ministro Alexandre de Moraes e outras autoridades.

“Ainda que possam ser imorais, repudiĂĄveis, abjetas, repugnastes
 dizer que SĂ©rgio Cavallieri Ă© golpista Ă© ser descolado dos fatos investigados”, afirmou. 

Por Ășltimo, a defesa do policial federal Wladimir Matos Soares tambĂ©m afirmou que a PolĂ­cia Federal foi falha na investigação, induzindo a PGR a erro. O rĂ©u foi acusado de ter vazado, durante a transição de governo, em 2022, informaçÔes sobre o esquema de segurança do entĂŁo presidente eleito Luiz InĂĄcio Lula da Silva. 

“Ele nĂŁo conhece nenhum dos rĂ©us, nĂŁo Ă© citado em nenhuma minuta, planilha, as partes envolvidas disseram que nĂŁo conhecem o Wladimir”, disse o advogado Sergio Wiliam Lima dos Anjos. 

Fazem parte deste nĂșcleo os seguintes investigados:

  • Bernardo RomĂŁo Correa Netto (coronel);
  • Estevam  Theophilo (general);
  • FabrĂ­cio Moreira de Bastos (coronel);
  • HĂ©lio Ferreira Lima (tenente-coronel);
  • MĂĄrcio Nunes de Resende JĂșnior (coronel);
  • Rafael Martins de Oliveira (tenente-coronel);
  • Rodrigo Bezerra de Azevedo (tenente-coronel);
  • Ronald Ferreira de AraĂșjo JĂșnior (tenente-coronel); 
  • SĂ©rgio Ricardo Cavaliere de Medeiros (tenente-coronel);
  • Wladimir Matos Soares (policial federal).

Confira as informaçÔes do Repórter Brasil Tarde, da TV Brasil

Outros nĂșcleos

AtĂ© o momento, o STF jĂĄ condenou 15 rĂ©us pela trama golpista. SĂŁo sete condenados do NĂșcleo 4 e mais oito acusados que pertencem ao NĂșcleo 1, liderado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.

O NĂșcleo 2 serĂĄ julgado a partir de 9 de dezembro.

O NĂșcleo 5 Ă© formado pelo empresĂĄrio Paulo Figueiredo, neto do ex-presidente da ditadura JoĂŁo Figueiredo. Ele mora dos Estados Unidos, e nĂŁo hĂĄ previsĂŁo para o julgamento.  

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