Tchê critica ‘salvadores da pátria’ e diz que produtores do Acre foram perseguidos em outras gestões

Secretário de Agricultura aponta que gestões anteriores prejudicaram produtores rurais e critica discursos ambientais que ignoram a realidade fundiária do Acre

Durante um painel na Semana Internacional do Café (SIC), realizado nesta sexta-feira (7), em Belo Horizonte (MG), o secretário de Estado de Agricultura do Acre, José Luís Tchê, afirmou que os produtores rurais acreanos foram “muito perseguidos” em gestões anteriores e ainda enfrentam grandes desafios para produzir na Amazônia. O debate contou com a presença de outros secretários de Agricultura de diferentes estados do país.

Secretário de Agricultura aponta que gestões anteriores prejudicaram produtores rurais e critica discursos ambientais que ignoram a realidade fundiária do Acre/Foto: Foto: Giovanni Amaral/ContilNet

Segundo Tchê, as dificuldades enfrentadas pelos agricultores vão desde a burocracia para acesso ao crédito até a falta de regularização fundiária, especialmente nas áreas de fronteira. Ele destacou que, apesar de discursos políticos e promessas antigas, pouco foi feito de forma concreta para mudar essa realidade.

“O produtor e a produtora rural foram muito perseguidos no nosso estado. Diziam que desmatavam, que derrubavam. Mas nós somos o coração da Amazônia, e preservar tem um custo muito alto”, afirmou o secretário.

Tchê lembrou que todo o Acre é considerado área de fronteira, o que torna a questão fundiária ainda mais complexa. “O estado do Acre tem 150 quilômetros de área de fronteira. Todo o nosso estado é área de domínio da União. Então, o primeiro problema é a documentação. Como é que a gente titula essa área?”, questionou.

Ele também criticou antigos parlamentares que, segundo ele, se apresentavam como “salvadores da pátria”, mas não apresentaram soluções efetivas. “Tem muitos salvadores da pátria que passaram pela Câmara e pelo Senado, deram discurso, mas nunca resolveram. O produtor vai no banco, e o banco pede o CPF do avô, do tataravô, e sem documento não empresta. É essa a realidade que a gente enfrenta”, disse.

O secretário ressaltou que o atual governo tem trabalhado para criar condições que incentivem o produtor rural a continuar na atividade, mesmo diante das barreiras. “Nós temos um desafio enorme pela frente”, concluiu Tchê.

PUBLICIDADE