Vale do Juruá lidera ranking de desigualdade e vulnerabilidade econômica no Acre, aponta estudo

De acordo com o estudo, há municípios em que o número de beneficiários ultrapassa em até 40 vezes o total de trabalhadores formais

Por Everton Damasceno, ContilNet 03/11/2025 Ă s 15:08
Situação está crítica no Rio Juruá/Foto: Reprodução

Um levantamento econômico realizado pelo Fórum Empresarial de Inovação e Desenvolvimento do Acre, em parceria com o Sebrae, revelou que o Vale do Juruá concentra os piores índices de desigualdade e vulnerabilidade econômica do estado entre os anos de 2022 e 2024.

O estudo, conduzido pelo economista Dr. Rubicleis Gomes da Silva, analisou a relação entre a quantidade de empregos formais e o número de famílias beneficiadas pelo Programa Bolsa Família, indicando o grau de dependência das cidades acreanas em relação aos repasses federais.

Vale do Juruá lidera ranking de desigualdade e vulnerabilidade econômica no Acre/Foto: Reprodução

Segundo o pesquisador, exceto a capital Rio Branco, a maior parte dos municípios do Acre tem mais beneficiários do Bolsa Família do que trabalhadores com carteira assinada.

“Na maioria das cidades acreanas, o Bolsa Família tem um impacto gigantesco na economia. Há locais onde o comércio chega a fazer promoções específicas no dia do pagamento do benefício. Agora imagine essas cidades sem esse recurso”, destacou Rubicleis em entrevista ao G1.

De acordo com o estudo, há municípios em que o número de beneficiários ultrapassa em até 40 vezes o total de trabalhadores formais, o que demonstra uma forte dependência de recursos públicos e uma baixa capacidade de geração própria de renda.

O levantamento dividiu o estado em duas grandes regiões:

  • Vale do Juruá, que engloba Cruzeiro do Sul, Mâncio Lima, Marechal Thaumaturgo, Porto Walter, Rodrigues Alves, FeijĂł, JordĂŁo e Tarauacá;

  • Vale do Acre, composto por Assis Brasil, BrasilĂ©ia, Epitaciolândia, Xapuri, Acrelândia, Bujari, Capixaba, Plácido de Castro, Porto Acre, Rio Branco, Senador Guiomard, Sena Madureira, Santa Rosa do Purus e Manoel Urbano.

O economista utilizou o Índice de Vulnerabilidade Municipal (IVM), que mede anualmente a relação entre a dependência de programas de transferência de renda e a geração de empregos formais.
A classificação foi dividida em cinco níveis: muito baixa, baixa, média, alta e muito alta vulnerabilidade — sendo esta última observada em locais com mais de 30 beneficiários do Bolsa Família para cada trabalhador formal.

Apesar de uma leve melhora geral, os números ainda preocupam. Em 2022, o Acre registrava 127 beneficiários do Bolsa Família para cada 100 trabalhadores com carteira assinada. Em 2024, a proporção caiu para 115 beneficiários, o que indica um leve avanço, mas ainda revela alta dependência social.

Cenário por microrregião

O Vale do Juruá apresenta contrastes entre seus municípios:

  • Cruzeiro do Sul teve uma leve melhora, com o IVM caindo de 3,13 em 2022 para 2,96 em 2024;

  • Tarauacá registrou piora significativa, passando de 6,61 para 9,35, o que representa aumento superior a 40% na vulnerabilidade;

  • Marechal Thaumaturgo reduziu seu Ă­ndice de 49,25 para 30,77, mas ainda Ă© o segundo municĂ­pio mais vulnerável do estado;

  • Santa Rosa do Purus segue na liderança do ranking de vulnerabilidade;

  • JordĂŁo tambĂ©m apresentou queda importante (de 45,70 para 36,18), embora continue entre os mais crĂ­ticos.

Os municĂ­pios com piores indicadores sĂŁo justamente os mais isolados por via terrestre, com economias pouco diversificadas e escassas oportunidades de emprego formal.

Apesar da redução moderada da vulnerabilidade social em algumas áreas, o estudo conclui que as diferenças regionais continuam expressivas.

“Quando o número de pessoas que recebem o benefício é muito maior que o de trabalhadores formais, isso mostra que a economia local ainda enfrenta dificuldades para gerar emprego e renda”, afirmou Rubicleis ao G1.

Conteúdo Original / Fonte: Redação ContilNet

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