Virar o rosto evita ataque de cobras? Veja o que diz especialista

Por MetrĂłpoles 18/11/2025

Nas Ășltimas semanas, um vĂ­deo sobre como evitar ataque de cobras circulou nas redes sociais. Nele, um homem, segurando um rĂ©ptil, mostra que virar o rosto pode ser fundamental ao se deparar com o animal.

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O rapaz explica que as serpentes não identificam apenas movimentos, mas o calor também. Seguindo essa lógica, virar o rosto pode impedir que elas sintam o calor que sai das narinas e da boca dos humanos.

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virar o rosto ao encontrar cobraO rapaz do vĂ­deo diz que virar o rosto evita que as cobras identifiquem o calor das narinas e da boca

Ao utilizar um pano azul aquecido, ele simula a temperatura do corpo humano e demonstra a situação. O resultado, de fato, segue o que ele afirmou: a cobra ataca o pano. No entanto, surge a dĂșvida: esse pensamento tem explicação cientĂ­fica?

A explicação

Segundo Nathalie Citeli, especialista em serpentes, não existe nenhuma comprovação de que virar o rosto seja uma medida eficiente para evitar um ataque. “De modo geral, não todas, mas a maioria, não tem uma boa acuidade visual. Elas não enxergam muito bem.”

Ela explica que, por isso, esse movimento não tem grande relevñncia na atitude do animal. “Os ataques, na verdade, são acidentes. As pessoas podem pisar, colocar a mão e se aproximar muito do espaço que o animal considera como dele.”

“No paĂ­s existem cerca de 500 espĂ©cies. Eu posso garantir que elas vĂŁo preferir fugir do que atacar uma pessoa. As serpentes sĂł atacam quando se sentem ameaçadas, encurraladas e estĂŁo numa situação de vida ou morte. Poucas espĂ©cies dĂŁo bote, uma cobra sĂł vai dar bote no momento em que se sente desesperada para salvar sua vida”, esclarece.

cobra tenta atacar homemNĂŁo fazer nenhum tipo de contato fĂ­sico Ă© o primeiro passo para evitar acidentes

Nathalie acrescenta que nenhuma espĂ©cie de cobra presente no Brasil tem o instinto de “correr” atrĂĄs das pessoas. “A primeira opção Ă© escapar, porque elas sabem que os seres humanos sĂŁo animais agressivos e que podem levĂĄ-las Ă  morte.”

O que realmente fazer

De acordo com a especialista, o primeiro passo Ă© evitar o contato fĂ­sico. Ela orienta para que as pessoas nĂŁo encostem, nĂŁo coloquem a mĂŁo e evitem qualquer tipo de manejo. “Quando a gente nĂŁo conhece, nĂŁo pode tentar identificar, se aproximar e nem nada do tipo.”

Em caso de acidentes com as cobras, a orientação Ă© para, primeiramente, acalmar a vĂ­tima. “É difĂ­cil, porque a pessoa sofreu um acidente por serpente, mas o ideal Ă© que quem estĂĄ em volta tente manter essa pessoa calma e hidratada.”

“NĂŁo faça nenhum tipo de amarração. Prender o membro, colocar algum tipo de produto, amarrar corda, amarrar fita e passar remĂ©dios, nada disso funciona”, salienta.

picada de cobraDepois de um acidente, Ă© fundamental manter a calma e ir para uma unidade de saĂșde

O que realmente deve ser feito Ă© lavar o local da picada e se dirigir o mais rĂĄpido possĂ­vel para um hospital, de preferĂȘncia um que tenha soro antiofĂ­dico. “Mas qualquer hospital que a pessoa chegue jĂĄ vai fazer todo o tratamento inicial.”

Nathalie explica que a equipe começa introduzindo hidratação e cuidados direcionados para os sintomas. Depois, tenta identificar o animal para iniciar o processo de utilização do soro, que neutraliza o veneno.

Orientação pråtica

Se acontecer um acidente com cobra, esse Ă© o passo a passo simplificado do que uma pessoa deve fazer:

  • Manter a calma para tomar decisĂ”es assertivas;
  • Evitar esforço fĂ­sico;
  • NĂŁo passar nenhum tipo de remĂ©dio ou produto no local da picada;
  • Ir para o hospital ou uma unidade de saĂșde o mais rĂĄpido possĂ­vel.

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