Acidente com barra de supino: como impacto forte no tórax pode levar a morte rápida

Ronald José Salvador Montenegro, de 55 anos, morreu após derrubar aparelho enquanto treinava em academia em Olinda.

Foto: Reprodução

A morte de Ronald José Salvador Montenegro, de 55 anos, após ser atingido por uma barra de supino enquanto treinava numa academia em Olinda, na segunda-feira (1º), chamou atenção pela rapidez dos efeitos causados pelo acidente. Imagens de uma câmera de segurança mostram que ele desfaleceu poucos segundos depois que o equipamento caiu sobre o tórax (saiba mais abaixo).

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Ao g1, o cirurgião torácico Rafael Tavares explicou como o impacto pode ter levado à morte em tão pouco tempo (veja vídeo acima). Segundo o especialista, a barra, ao despencar, atingiu uma região do corpo chamada Zona de Ziedler, área bastante sensível para lesões cardíacas e vasculares — o que faz do supino um dos exercícios mais arriscados.

“É uma área em que a gente tem o coração e grandes vasos. […] Pressão é força sobre área. Ele teve um choque muito grande no esterno (osso que “cola” a caixa torácica). Isso deve ter gerado uma fratura no esterno com rupturas de órgãos internos, como coração ou grandes vasos”, afirmou.

Segundo parentes, Ronald entrou na academia por volta das 19h50. Às 20h05, a família recebeu uma ligação do estabelecimento avisando do acidente. A vítima ainda foi levada à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Rio Doce, mas não resistiu, tendo a morte confirmada e comunicada aos familiares por volta das 20h30.

De acordo com o médico, após a queda do aparelho, o aluno pode ter se levantado “no susto”, mas os efeitos da batida são muito rápidos e chegam ao cérebro quase instantaneamente.

“Quando sangra um coração, por exemplo, uma lesão perfurante no coração, o sangue que vaza para o pericárdio (membrana que envolve o coração) já faz o coração parar de funcionar. E o coração parando de funcionar, de imediato, para de chegar sangue no nosso cérebro. […] Ele deve ter ficado vivo ali por alguns segundos, que é o que fez ele se levantar, mas logo na sequência ele cai colapsado”, disse.

Por isso, é fundamental que a pessoa, durante um treino, deve tomar muito cuidado com o peso que está levantando, respeitando os seus próprios limites.

“É o mesmo que quando você sofre um acidente de carro de grande impacto. O que faz a pessoa morrer subitamente são as lesões cerebrais e as rupturas de grandes vasos […]. Mesmo que você tenha um profissional de saúde na hora, naquele exato momento, dificilmente você salva uma vida dessas”, explicou o cirurgião torácico.

Por isso, é fundamental que esse tipo de exercício seja feito sob supervisão. Conforme o especialista, se houvesse alguém para segurar a barra, o impacto teria sido “bem menor”.

“A barra é conhecida. A prova é que, nas academias, a maioria das vezes quando a pessoa vai fazer esse tipo de exercício, fica uma pessoa do lado pronta para te ajudar com essa barra”, afirmou.

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