Acre tem baixa presença de idosos e grande desigualdade de gênero no trabalho

IBGE aponta segunda menor participação de trabalhadores com 60 anos e reforça diferenças sociais.

Um levantamento divulgado pelo IBGE nesta semana redesenha o perfil da força de trabalho acreana e revela contrastes marcantes. Entre os 315 mil trabalhadores ocupados no estado, apenas 5,7% têm 60 anos ou mais, proporção que coloca o Acre na vice-lanterna do ranking nacional acima apenas de Roraima, onde o índice é de 5,5%.

Entre os 315 mil trabalhadores ocupados no estado, apenas 5,7% têm 60 anos/ / Foto: Ilustrativa

 

A baixa participação de idosos aparece de forma ainda mais evidente quando o estado é comparado aos vizinhos da própria região Norte. Enquanto Rondônia lidera com 8,6%, seguida por Pará (7,6%) e Tocantins (7,2%), o Acre permanece bem abaixo da média regional.

Desigualdade de gênero é a maior do país

O mesmo levantamento expõe outra característica relevante do mercado acreano: a diferença entre homens e mulheres que ocupam postos de trabalho. De acordo com o IBGE, 61,5% dos empregados são homens, enquanto 38,5% são mulheres a maior disparidade de gênero registrada no Brasil.

Especialistas apontam que o cenário reflete limitações históricas no acesso feminino ao mercado formal, além de desafios estruturais como dupla jornada, menor oferta de empregos estáveis e concentração masculina em setores dominantes da economia local.

Predomínio de trabalhadores pretos e pardos

O recorte racial também chama atenção. No Acre, quase 80% da força de trabalho se declara preta ou parda, enquanto trabalhadores brancos representam menos de 20%. O cenário evidencia uma predominância semelhante à demografia geral do estado, mas também reforça desigualdades históricas no acesso a posições de maior qualificação.

Resultados refletem dinâmica social e produtiva do estado

Especialistas avaliam que a baixa presença de idosos na ativa pode estar ligada a fatores como condições laborais mais exigentes fisicamente, barreiras de saúde e altos índices de informalidade. A combinação entre desigualdade de gênero e predominância racial reforça, segundo o IBGE, um quadro que ainda demanda políticas direcionadas de inclusão e equidade.

Comparativo na região Norte — participação de idosos no mercado de trabalho

  • Rondônia: 8,6%
  • Pará: 7,6%
  • Tocantins: 7,2%
  • Acre: 5,7%
  • Roraima: 5,5%

Perfil dos trabalhadores do Acre

  • Gênero: 61,5% homens / 38,5% mulheres (maior disparidade do país)
  • Raça/cor: quase 80% de pretos e pardos / menos de 20% de brancos

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