Acreana vence prêmio nacional por estudo que aprimora monitoramento de queimadas na Amazônia

A professora Sonaira Silva faz parte do corpo de pesquisadores da Universidade Federal do Acre

A professora da Universidade Federal do Acre (Ufac), Sonaira Silva, foi uma das vencedoras do programa Para Mulheres na Ciência, promovido pelo Grupo L’Oréal no Brasil, Unesco e Academia Brasileira de Ciências (ABC). Ela recebeu o reconhecimento na categoria Ciências da Vida pelo projeto que desenvolve novas ferramentas para monitorar queimadas no Acre e avaliar seus impactos sobre floresta, clima e comunidades locais.

A pesquisadora da Ufac foi vencedora do prêmio nacional/Foto: Reprodução

A pesquisa propõe integrar sensoriamento remoto, análises da qualidade do ar e inventários florestais, com o objetivo de diferenciar queimadas agrícolas de incêndios florestais, um dos principais desafios atuais no monitoramento. A abordagem busca compreender como o fogo altera o território em múltiplas escalas, desde danos ecológicos até efeitos climáticos e socioeconômicos.

Sonaira destaca que os incêndios na Amazônia não se limitam ao manejo agrícola tradicional e se transformaram em eventos mais intensos e difíceis de controlar.

“Precisamos avançar no conhecimento sobre as múltiplas escalas do impacto do fogo na Amazônia”, afirma. Segundo ela, os efeitos das queimadas ultrapassam fronteiras e influenciam a vida de populações em todo o país.

A trajetória da pesquisadora é marcada pela relação direta com o território que estuda. Natural do interior do Acre, ela iniciou a vida acadêmica em projetos de agricultura agroecológica e deixou a cidade natal e o filho pequeno para cursar engenharia agronômica na Ufac. Mais tarde, tornou-se professora da instituição, etapa que define como uma realização pessoal e familiar.

Ela também ressalta os desafios enfrentados por mulheres na ciência, especialmente na conciliação entre pesquisa, docência e responsabilidades domésticas. “O protagonismo feminino ainda é um tabu para muita gente. Precisamos ser mais focadas e habilidosas para dar conta de tantas frentes ao mesmo tempo”, afirma. Entre suas referências, cita a mãe e pesquisadoras como Ane Alencar e Liana Anderson.

Sonaira coordena estudantes que, em muitos casos, são as primeiras de suas famílias a ingressar no ensino superior. Para ela, o prêmio representa um incentivo coletivo.

“Ser escolhida entre tantas mulheres brilhantes, sendo uma pesquisadora do interior da Amazônia, é emocionante. Isso mostra que é possível fazer ciência de qualidade em qualquer lugar do Brasil”, diz.

O programa Para Mulheres na Ciência integra as ações globais do Grupo L’Oréal, que mantém projetos de incentivo à pesquisa e metas de sustentabilidade até 2030. A empresa, líder mundial no setor de beleza, atua há 65 anos no Brasil e mantém portfólio diversificado de marcas no país.

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