Agência fechada e viagens canceladas levam clientes a denunciar venda irregular de passagens

Vítimas relatam prejuízos, agência fechada e registro de boletins de ocorrência na Polícia Civil

O empresário David Cardoso é suspeito de dar golpes em clientes que compraram passagens aéreas com ele. A informação foi apurada pelo g1 após uma série de relatos de pessoas que afirmam ter sido prejudicadas ao adquirir bilhetes aéreos por meio do empresário, que não foi localizado nesta quinta-feira (18).

Foto: Reprodução

Clientes foram até a agência CRD Milhas Passagens Aéreas, em Rio Branco, após perderem contato com David Cardoso e descobrirem que o estabelecimento estava fechado. No local, surgiram novos relatos de pessoas que afirmam ter comprado passagens, mas nunca tiveram as viagens efetivamente emitidas.

A reportagem também tentou contato com o empresário, sem sucesso. A esposa dele, que preferiu não ter o nome divulgado, informou que não sabe onde o marido está. Diante da situação, vítimas começaram a registrar boletins de ocorrência na 1ª Delegacia de Polícia Civil de Rio Branco. O g1 procurou a Polícia Civil e aguarda posicionamento.

Entre os relatos, está o da empresária Paloma Pacheco, que atua no mesmo ramo e afirma ter sido procurada por David na última segunda-feira (15) para intermediar a compra de três passagens aéreas no trecho Curitiba–Rio Branco. O pagamento, segundo ela, seria feito no dia seguinte.

A confiança, segundo Paloma, veio da relação profissional já existente. As passagens, avaliadas em R$ 10 mil, foram emitidas para embarque na quarta-feira (17).
“Confiei no colega. Não sabia que estava aplicando golpes nas pessoas. As passagens eram para uma mulher e os dois filhos dela, fui no aeroporto, confirmei que vieram para cá”, lamentou.

Sem receber o valor combinado, Paloma passou a cobrar o empresário e afirma ter recebido apenas justificativas. Em um dos contatos, ele chegou a enviar um vídeo exibindo dinheiro.
“Ele me mandou um vídeo dizendo que estava na Vila Caquetá, que estava com R$ 6 mil, iria pegar mais R$ 4 mil e me pagaria. Pedi um PIX, mas inventava que estava sem internet, mas que pagaria”, destacou.

Outro caso envolve o autônomo Francisco das Chagas Ferreira, de 57 anos, que planejou durante dois anos uma viagem em família para Florianópolis (SC). As passagens foram compradas em maio, mas o embarque, marcado inicialmente para terça-feira (16), não ocorreu e sofreu sucessivos adiamentos.

“Ele falou depois que embarcávamos de quarta [17] para quinta [18], depois mandou outro áudio para minha filha que era de quinta pra sexta [19]. Hoje já mandou um áudio falando que caiu em um golpe de um dos fornecedores. Passei dois anos me preparando, era a primeira viagem”, relatou.

No áudio enviado ao autônomo, David afirma ter sido vítima de um golpe e promete ressarcir os clientes.
“Amigo, bom dia. Amigo, caí em um golpe de fornecedor e perdi tudo. Mas, vou trabalhar um dia e pagar todo mundo que devo, inclusive você. Mas, no momento, caí em um golpe, perdi tudo e fui para lona”, alega.

Francisco disse que o plano era passar o Natal com familiares e realizar um sonho antigo.
“Encontrei bastante gente em frente da agência dele reclamando. Registrei um boletim de ocorrência, ele disse no áudio que vai devolver meu dinheiro, mas queria minha viagem”, criticou.

Além de clientes, colegas de trabalho também afirmam ter prejuízos ao vender passagens intermediadas por David sem receber os valores correspondentes. O empresário não respondeu às mensagens nem às ligações da reportagem.

Entre os casos com maior prejuízo financeiro está o do sargento da Polícia Militar do Espírito Santo, Hudson Menenguce, que comprou seis passagens aéreas para viajar com a esposa e as filhas ao Acre. O embarque estava previsto para esta sexta-feira (19), mas, segundo ele, as passagens nunca foram entregues.

“Meu irmão, minha cunhada e meu pai moram no Acre há bastante tempo e vou para o estado duas vezes por ano. Agora planejei de ir com minhas filhas, que nunca foram, e me indicaram ele. Um amigo já tinha comprado com ele e me indicou”, contou.

O valor pago, conforme Hudson, ultrapassa R$ 9,5 mil e foi transferido via PIX.
“Falei com ele algumas vezes pedindo as passagens e falava que ia emitir e nunca emitiu. Na terça (16), falou que estava em reunião, que quando acabasse iria mandar o check in e depois disso não responde mais e nem atende”, explicou.

O militar afirmou que costuma comprar passagens diretamente das companhias aéreas, mas decidiu confiar na indicação.
“Eu mesmo que compro as passagens, faço questão, mas estava cara dessa vez. Já tinha alugado um carro pra ficar aí [em Rio Branco]. Estou todo enrolado, não tem como ir mais”, concluiu.

O caso segue sendo apurado pelas autoridades, enquanto novas vítimas continuam procurando a polícia para formalizar denúncias.

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