A Prefeitura de Rio Branco decidiu, nesta segunda-feira (29), prorrogar por mais um ano o decreto de situação de emergência, publicado ainda na primeira alagação de 2025, em razão dos impactos recorrentes das cheias do rio Acre. A medida amplia o alcance das ações emergenciais, incluindo novos procedimentos na área da saúde.
Durante coletiva, o prefeito Tião Bocalom afirmou que o objetivo é dar continuidade às respostas adotadas pelo município diante do cenário de anormalidade. “O que nós estamos fazendo aqui hoje é passando para que vocês possam anunciar para a população que nós estamos declarando a permanência da existência de anormalidade caracterizada pela situação de emergência que foi decretada lá no dia 14 de março de 25”, disse.
Segundo ele, o decreto, que tinha validade de um ano, “estará sendo estendido agora, através desse decreto, por mais um ano”.
Bocalom ressaltou que a prorrogação ocorre em meio a um histórico de eventos extremos sucessivos. “Infelizmente, 50 anos atrás aconteceu o que está acontecendo hoje. E, pior de tudo, nós estamos na sexta alagação, sexta alagação consecutiva”, declarou.
Ainda de acordo com o prefeito, apesar da gravidade da situação, o município não registrou mortes relacionadas às cheias. “Graças a Deus não tivemos nenhum óbito ao longo desse tempo todinho, dessas cinco alagações que já passamos, da sexta, e esperamos não ter nenhum óbito, nenhum caso fatal.”
O prefeito também destacou o trabalho contínuo da Defesa Civil municipal.
“A gente continua fazendo aquilo e melhorando, ano após ano a gente vem melhorando”, afirmou, ao lembrar que o município recebeu, em 2021, reconhecimento nacional pelo acolhimento prestado às famílias atingidas. “O dia a dia vai nos ensinando e a gente vai aprendendo mais”, completou.
Durante a fala, Bocalom fez um apelo à imprensa para auxiliar na orientação da população, especialmente jovens que se expõem a riscos durante a cheia. “O que a gente pede é que vocês, da imprensa, nos ajudem a orientar principalmente a juventude, que tem uma mania de pular dentro do igarapé, pular no rio Acre. Isso é muito perigoso”, alertou.
Ele também citou áreas com risco de deslizamento, como trechos da margem do rio. “Os barrancos estão desbarrancando, não tem jeito”, afirmou.
O prefeito mencionou a situação de imóveis afetados por deslizamentos e reforçou a necessidade de remoção preventiva. “Não adianta. A beira do rio Acre é isso. Vamos esperar cair a casa na cabeça de alguém, morrer alguém, para depois agir? Não. Nós estamos prontos para retirar”, disse.
Por fim, Bocalom defendeu que o debate seja feito sem disputas políticas. “O que a gente precisa é que vocês nos ajudem a conscientizar aquela população e deixar de lado a politicagem perversa num momento difícil desse”, concluiu.

