Aprovados do CNU cobram novas convocações após vagas ficarem ociosas

Mesmo após prorrogação da matrícula, segunda chamada do concurso registra cargos com mais de 20% das vagas não preenchidas

Candidatos aprovados no Concurso Nacional Unificado 1 (CNU1) denunciam demora e falta de transparência no preenchimento das vagas remanescentes do certame. Segundo os aprovados, mesmo após a prorrogação do prazo de matrícula, a segunda chamada dos cursos de formação ainda apresenta um número expressivo de cargos não ocupados.

O caso mais crítico envolve o cargo de Analista Técnico de Políticas Sociais (ATPS). De acordo com dados da Escola Nacional de Administração Pública (Enap), 64 vagas permanecem ociosas, o que representa mais de 20% das 293 vagas ofertadas para a função.

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Reprodução

Aprovados aguardam convocação e temem perder o prazo

Candidatos classificados na primeira fase do concurso, espalhados por diferentes estados do país, afirmam que aguardam convocação mesmo com orçamento já previsto para os cargos. Segundo eles, não há justificativa técnica ou administrativa que impeça o preenchimento das vagas remanescentes.

O grupo relata dificuldade de diálogo com o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI).

“Nós não conseguimos ter contato com o ministério. Só algumas vezes, por meio do sindicato”, afirmou um dos aprovados.

Além disso, há receio de que parte dos candidatos da lista de espera não seja convocada dentro do prazo de validade do concurso, que, em alguns casos, expira em junho de 2026. Os aprovados também alegam que servidores temporários estariam sendo chamados para exercer funções que possuem vagas efetivas disponíveis.

Questionamentos sobre legalidade e isonomia

Os candidatos afirmam que a situação pode violar princípios como isonomia, eficiência administrativa, legalidade, juridicidade e boa-fé, uma vez que o edital geral do certame previa convocações adicionais para garantir o preenchimento das vagas.

Outro ponto de contestação envolve a Portaria Enap nº 70, de 26 de novembro de 2025, que estabelece que a perda de matrícula não implicará nova convocação nos cursos de formação do CNU. Segundo os aprovados, essa norma diverge do procedimento adotado na primeira turma, realizada entre 22 de abril e 25 de julho de 2025, que contou com até três chamadas sucessivas justamente para evitar vagas ociosas.

Mudança de procedimento gera críticas

Na avaliação dos candidatos, houve mudança injustificada de critérios entre a primeira e a segunda edição dos cursos de formação. O Edital Específico nº 02, que regeu a primeira turma, previa convocações sucessivas. Já o Edital Específico nº 06/2025, referente à segunda turma, limitou-se a uma única chamada, seguida apenas da ampliação do prazo de matrícula.

Para os aprovados, a medida resultou em tratamento desigual entre candidatos em situações equivalentes e comprometeu a eficiência do concurso, que havia sido lançado com a promessa de racionalizar recursos e acelerar o provimento de cargos estratégicos.

Outros cargos também apresentam vagas ociosas

Embora o cargo de ATPS concentre o maior percentual de vagas não preenchidas, os candidatos afirmam que o problema se repete em outras carreiras que exigem curso de formação, como Analista de Comércio Exterior, Analista de Infraestrutura, Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental e Analista em Tecnologia da Informação.

Segundo os aprovados, a simples prorrogação do prazo de matrícula não foi suficiente para garantir ocupação total das vagas. Para eles, quem não realizou a matrícula dentro do prazo o fez por decisão consciente, o que justificaria novas convocações da lista de espera.

Pedido por nova chamada em 2026

Diante do cenário, os candidatos defendem que o MGI e a Enap realizem ao menos uma nova convocação, especialmente para o cargo de ATPS, já em janeiro de 2026, permitindo que os aprovados participem da segunda turma do curso de formação.

“Esse concurso tem apenas um ano de vigência. A renovação e o preenchimento das vagas são prioridade para evitar desperdício de recursos públicos e garantir a execução de políticas sociais”, afirmou uma candidata, sob anonimato.

O outro lado

O Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos foi procurado para comentar as reclamações dos candidatos, mas não respondeu até a última atualização desta matéria. O espaço segue aberto para manifestação.

Fonte: Metrópoles

✍️ Redigido por ContilNet

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