O Brasil enfrenta um dos episódios de calor mais intensos dos últimos anos, com recordes históricos registrados principalmente no Sudeste. Em São Paulo, os termômetros marcaram 36,2°C nesta sexta-feira (26), segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), configurando a maior temperatura do ano e a mais alta para dezembro desde 1961. O recorde supera o do dia anterior, quando a capital já havia alcançado 35,9°C.
De acordo com a Defesa Civil, o calor extremo é resultado de um bloqueio atmosférico que dificulta a entrada de frentes frias e impede a formação de nuvens e chuva de forma generalizada. Com o céu limpo e a intensa radiação solar, o ar esquenta rapidamente, cenário agravado pelo excesso de concreto e pela falta de áreas verdes nos grandes centros urbanos, que potencializam as chamadas “ilhas de calor”.
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Por que está tão quente?
Segundo Maria Clara Sassaki, porta-voz da Tempo OK, embora temperaturas altas sejam típicas do verão, o que surpreende agora é a intensidade do calor:
“Esse calor excessivo é resultado da atuação de uma massa de ar quente, associada a uma área de alta pressão, que dificulta a entrada de frentes frias e reduz a formação de nuvens. Com pouca nebulosidade, a superfície esquenta muito rápido e retém calor, especialmente nas cidades”, explica.
Recordes históricos em São Paulo
A meteorologista reforça que os valores registrados no Natal (35,6°C) e nesta sexta-feira (36,2°C) são históricos: “São temperaturas nunca antes observadas em um mês de dezembro desde o início das medições, em 1943.”
E, segundo ela, o calor ainda deve persistir: “A previsão indica que os termômetros podem permanecer elevados nos próximos dias, com valores acima da média climatológica. Mesmo com pancadas de chuva típicas do verão, o calor não deve cessar no curto prazo.”
Essas pancadas, aliás, podem trazer riscos adicionais, como rajadas de vento, trovoadas e pontos de alagamento.
“Essas chuvas tendem a ser irregulares e de curta duração. Aliás, essas pancadas de chuva são uma grande preocupação, pois mesmo sendo de curta duração, podem vir acompanhadas por rajadas de vento, trovoadas e causar pontos de alagamento.”
Regiões mais afetadas
O calor extremo atinge principalmente:
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São Paulo e Rio de Janeiro,
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Oeste de Mato Grosso do Sul,
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Sul de Goiás.
Em alguns pontos do interior paulista, as temperaturas estão até 5°C acima da média para o período.
Quando as temperaturas vão baixar?
O alívio deve começar gradualmente após a virada do ano, com a passagem de uma frente fria que deve alcançar o Sudeste.
Mas Sassaki faz um alerta:
“Essa melhora não será uniforme nem duradoura. A tendência é de calor acima da média intercalado por períodos de chuva pouco abrangentes durante todo o verão.” Ou seja: a queda das temperaturas será temporária.
Cuidados com a saúde
Diante do calor extremo, especialistas reforçam recomendações:
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hidratação constante,
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evitar atividades físicas nos horários mais quentes,
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manter ambientes ventilados ou umidificados,
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atenção redobrada a crianças, idosos e pessoas vulneráveis.
A onda de calor deve seguir, pelo menos, até o dia 29 de dezembro.
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