Brasileiras escravizadas na Espanha eram forçadas a atender atĂ© 15 “clientes” por dia

PF e polícia espanhola desmontam organização que lucrou R$ 40 milhÔes com tråfico de mulheres

Por Redação 11/12/2025 às 07:49

As 28 brasileiras resgatadas pela Polícia Nacional da Espanha na cidade de Álava viviam em condiçÔes degradantes e eram obrigadas a realizar até 15 programas por dia, segundo as investigaçÔes feitas em parceria com a Polícia Federal (PF).

Nesta quarta-feira (10/12), a PF deflagrou a Operação AlĂ­cia, que mira o nĂșcleo da organização criminosa responsĂĄvel por recrutar e enviar as vĂ­timas ao exterior. Mandados foram cumpridos em SĂŁo Paulo, Ubatuba, JundiaĂ­ e Rio das Ostras (RJ), resultando na prisĂŁo de trĂȘs aliciadores no Brasil e duas pessoas na Espanha.

Brasileiras escravizadas na Espanha eram forçadas a atender atĂ© 15 “clientes” por dia

Arte/MetrĂłpoles


Como funcionava o esquema

De acordo com a PF, as mulheres eram garotas de programa em vulnerabilidade, abordadas em casas noturnas de diferentes cidades brasileiras. Os criminosos prometiam clientes estrangeiros, melhores condiçÔes de trabalho e altos ganhos.

Mas, ao chegar Ă  Espanha, a realidade era brutal:

  • passagens de volta eram canceladas;

  • passaportes eram confiscados;

  • as vĂ­timas eram mantidas em imĂłveis alugados, sempre vigiadas;

  • nĂŁo podiam recusar nenhum cliente;

  • eram obrigadas a usar drogas caso o cliente exigisse;

  • viviam sob ameaças contra familiares no Brasil;

  • eram transferidas constantemente para despistar autoridades.

Segundo o delegado Daniel Coraça, da PF, a organização criava uma dívida impagåvel, cobrando 400 euros pela hospedagem. A maior parte do dinheiro ficava com os criminosos.

“Elas nĂŁo podiam recusar clientes e faziam atĂ© 15 programas por dia. Se o cliente usasse droga e quisesse que elas usassem, eram obrigadas. As ameaças atingiam familiares no Brasil”, disse o delegado.

Os clientes eram atraĂ­dos Ă s casas por anĂșncios na internet. AtĂ© o momento, nĂŁo hĂĄ indĂ­cios de que eles soubessem das condiçÔes a que as mulheres eram submetidas.


Lucro milionĂĄrio

A PF estima que a quadrilha tenha lucrado cerca de R$ 40 milhÔes com o tråfico internacional de mulheres. O valor foi bloqueado por determinação judicial.

As vĂ­timas brasileiras — junto a outras cinco estrangeiras — foram libertadas pela polĂ­cia espanhola em junho deste ano. A partir disso, as investigaçÔes avançaram e permitiram identificar os aliciadores atuando no Brasil.


Fonte: PolĂ­cia Federal / PolĂ­cia Nacional da Espanha / MetrĂłpoles
✍ Redigido por ContilNet

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