A comunidade do Papouco, em Rio Branco, passou por nova vistoria técnica, nesta semana, realizada pela Prefeitura em conjunto com a Defensoria Pública, Ministério Público e demais órgãos de fiscalização. A região, conhecida há décadas pela instabilidade do solo, segue classificada como área de risco, situação que pode atingir aproximadamente 80 famílias.
O coordenador da Defesa Civil Municipal, tenente-coronel Cláudio Falcão, em conversa com o ContilNet, explicou que o problema não apenas persiste, mas se agrava. Segundo o oficial, a movimentação do terreno ocorre desde muito antes dos primeiros alertas.
Papouco acumula 27 anos de agravamento e deixa cerca de 80 famílias vulneráveis | Foto: Secom
“O que acontece ali no Papouco não é de agora. Isso começou a se agravar em 1998. São 27 anos de agravamento. Desde 98 a situação piora, e toda vez que chove e passa de um ano para o outro, vai levando os sedimentos”, explicou.
Falcão ressaltou que o processo de erosão chega agora a uma fase mais perigosa. Os sedimentos menores, removidos lentamente pela chuva em anos anteriores, já não existem mais na superfície.
Coronel Cláudio Falcão/Foto: Marcos Araújo/Assecom
“Os sedimentos menores praticamente já foram todos. Agora restam os maiores, e esse tipo de sedimento, quando se desprende, provoca um deslizamento súbito. Se não houver uma obra estruturante ou remoção de famílias, a gente pode ter um acidente grave. Não tem como negar isso”, alertou.
Até 80 famílias podem ser atingidas
O oficial afirmou que todas as famílias da área convivem com algum nível de risco, embora nem todas com o mesmo grau de ameaça imediata. “Ali são aproximadamente 80 famílias, 80 residências. Todas têm risco, mas não é o mesmo risco. Tem casa que pode cair amanhã e casa que pode levar um ano. Mas existe o risco? Existe. A terra se movimenta sempre que há fuga de sedimentos. Estamos falando de quase três décadas de agravamento”, disse.
Falcão ilustra o cenário com um exemplo comum observado pelas equipes nas casas da comunidade. “Se você for lá, vai ver várias casas escoradas. O morador usa macaco hidráulico, levanta a casa, coloca um barrote e tenta equilibrar. A casa sobe, mas a terra continua se movendo. Hoje é lento e gradual, mas pode chegar um momento em que vai ser súbito, e aí cai tudo de uma vez”, enfatizou.
Falcão ressaltou que o processo de erosão chega agora a uma fase mais perigosa | Foto: Secom
Questionado sobre a possibilidade de colapso imediato na área, o coordenador foi enfático: não há como afirmar quando acontecerá, mas há certeza de que ocorrerá, caso nada seja feito.
“As pessoas perguntam: ‘Coronel, se já tem 27 anos assim, vai cair tudo agora, este ano?’ Não, não é isso que estou dizendo. O que digo é que vai chegar um momento. A gente não sabe se é daqui a um ano, dois anos ou dois meses. Não conseguimos prever. Mas sabemos que pode acontecer um acidente sério”, afirmou.
