Indígenas da etnia Huni Kuin, da Aldeia Paroá Central, na zona rural de Feijó, perderam mais de 10 mil pés de banana após a cheia do Rio Envira, que alagou áreas da comunidade e comprometeu a principal fonte de subsistência das famílias. Levantamento dos danos foi realizado pela Defesa Civil Municipal, que esteve no local para avaliar os impactos da enchente.

As comunidades estão recebendo apoio da Defesa Civil municipal/Foto: Defesa Civil de Feijó
De acordo com a Defesa Civil, a água invadiu a parte frontal da aldeia, atingindo plantações e o campo de futebol da comunidade. Imagens registradas pelas equipes mostram áreas totalmente alagadas. Mais de 90 famílias indígenas foram afetadas, principalmente na Aldeia Paroá Central, considerada a mais vulnerável por estar em área mais baixa em relação ao nível do rio.
O coordenador da Defesa Civil Municipal de Feijó, sargento Adriano Souza, informou que o roçado da comunidade ficou submerso. Segundo relatos dos moradores, cerca de 10 mil pés de banana foram perdidos. As equipes também percorreram comunidades localizadas na região do Baixo Rio, onde existem aproximadamente oito aldeias indígenas, para levantamento das necessidades mais urgentes.
Ainda conforme o coordenador, a água chegou a cerca de 10 metros das residências, alagando aproximadamente duas hectares. Outras aldeias também foram afetadas, mas em menor proporção. A Defesa Civil identificou a necessidade de apoio com água potável e assistência para recuperação das plantações.
Esta é a segunda vez no ano que os indígenas da Aldeia Paroá Central perdem o roçado por conta da cheia do Rio Envira. Em abril, durante outro período de transbordamento, a plantação de banana já havia sido destruída. Segundo informações repassadas à Defesa Civil, ocorrências desse tipo não eram registradas havia mais de 20 anos no município.
O volume de chuvas em Feijó ultrapassou a média histórica do mês. A previsão era de até 280 milímetros, mas o acumulado chegou a 429 milímetros. Somente no dia em que o rio começou a subir, choveu mais de 51 milímetros. A Defesa Civil informou que um levantamento completo dos danos na zona rural será concluído para que a assistência às comunidades indígenas seja iniciada no começo de janeiro.
O Rio Envira apresentou vazante, mas segue acima da cota de transbordo, que é de 12 metros. O nível chegou a 12,10 metros, mantendo áreas urbanas e rurais em situação de alerta. Cerca de 30 residências foram afetadas nos bairros Aristides, Hospital e Terminal.
Duas famílias, totalizando oito pessoas, permanecem em abrigo municipal instalado em uma escola, recebendo assistência com alimentação e medicação. Não há registro de famílias desalojadas. As equipes seguem monitorando o nível do rio e acompanhando moradores de áreas de risco.
Com informações do G1 Acre
