Um comerciante virou assunto nas redes sociais ao publicar um vídeo em que aparece derrubando uma prateleira cheia de sandálias Havaianas dentro da própria mercearia. Nas imagens, ele afirma que o estabelecimento deixará de vender a marca por considerar que ela “não representa mais o Brasil”. A gravação rapidamente ganhou repercussão e passou a ser associada à polêmica recente envolvendo a empresa.
O gesto ocorre em meio à controvérsia causada por uma campanha publicitária de fim de ano da Havaianas, estrelada pela atriz Fernanda Torres. O comercial, criado para o réveillon de 2026, traz a mensagem de que não é preciso “começar o ano com o pé direito”, mas sim “com os dois pés”, em tom motivacional. A frase, no entanto, foi interpretada por políticos e movimentos alinhados à direita como uma suposta mensagem ideológica indireta.

Dono de loja protesta contra Havaianas e decide retirar produtos do comércio/Foto: Reprodução
A campanha provocou reação imediata nas redes sociais. Parlamentares conservadores e influenciadores passaram a criticar a marca e a incentivar boicotes. Um dos comentários que ganhou destaque foi do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que ironizou dizendo que “nem todo mundo agora vai usar” Havaianas, em alusão ao slogan tradicional da empresa.
Com a escalada das críticas, a Havaianas retirou o vídeo do ar. A repercussão também chegou ao mercado financeiro: as ações da Alpargatas, fabricante da marca, registraram queda de cerca de 2,7% na Bolsa de Valores, o que representou uma perda estimada de aproximadamente R$ 200 milhões em valor de mercado.
É nesse cenário que o vídeo do dono da mercearia se insere. Ao justificar a decisão de parar de vender o produto, o comerciante afirma que a marca deixou de se alinhar aos valores que, segundo ele, representam o país. O ato simbólico de derrubar as sandálias foi interpretado por internautas como adesão ao boicote defendido por setores conservadores.
Enquanto isso, concorrentes acabaram se beneficiando da polêmica. Perfis de marcas rivais registraram crescimento no engajamento e no número de seguidores, impulsionados pelo debate em torno da Havaianas.
O episódio evidencia como uma campanha publicitária pode extrapolar o campo do marketing, ganhar contornos políticos e gerar reações que vão das redes sociais ao mercado financeiro — e, agora, até às prateleiras do comércio.
