Direito autoral das “dancinhas”: existe copyright nas redes sociais?

Por MetrĂłpoles 27/12/2025

Ao longo das mais de duas dĂ©cadas em que as redes sociais mudaram a forma de produzir conteĂșdo para a internet, diversos influenciadores e criadores conquistaram milhares de seguidores com criatividade para produzir vĂ­deos originais. Outros apostaram no carisma e se jogaram nas trends que dominaram as mais variadas plataformas.

No entanto, quando a moda Ă© fazer igual, muitos se questionam atĂ© onde a inspiração de um esbarra no direito Ă  criatividade do outro. Neste ano, por exemplo, Viih Tube se envolveu em polĂȘmicas com outra influenciadora ao admitir ter copiado um vĂ­deo dela.

 

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“Se vocĂȘ nĂŁo gosta de confusĂŁo, poderia ter me chamado no direct ao invĂ©s de gravar o vĂ­deo. Minha resposta (de admitir ter copiado) nĂŁo foi deboche, foi honesta! Pedi desculpas, coloquei o ib (perfil) na legenda. O que mais vocĂȘ gostaria que eu fizesse?”, questionou Viih Tube para a influenciadora Graciely Junqueira.

A situação, no entanto, vai alĂ©m de um simples pedido de desculpas. Conforme explica a advogada especialista em direito autoral Yasmin Arrighi ao MetrĂłpoles, mesmo que conteĂșdos que se encaixem em uma trend tenham, em essĂȘncia, o intuito de serem reproduzidos e replicados, as criaçÔes dos influenciadores continuam asseguradas, mesmo nas redes sociais.

“De modo geral, nĂŁo Ă© possĂ­vel reivindicar direitos autorais sobre uma trend, isto Ă©, sobre o conceito ou formato de uma tendĂȘncia nas redes sociais. No entanto, Ă© possĂ­vel haver proteção sobre elementos especĂ­ficos da trend, como a mĂșsica, a coreografia ou um roteiro original utilizado na criação do conteĂșdo”, explica.

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“Nesses casos, o titular do direito sobre a obra utilizada pode reivindicar remuneração ou solicitar a remoção de uso nĂŁo autorizado. Ou seja, a trend em si nĂŁo Ă© protegida, mas os componentes criativos que a integram podem ser”, esclarece.

As inspiraçÔes, ou supostos plĂĄgios, acontecem muitas vezes internacionalmente. Muitos influenciadores famosos ganharam a fama ao trazer conteĂșdos que se popularizaram entre os internautas gringos para os seguidores brasileiros — como os modelos de livestream, reacts, etc.

Em alguns casos, porĂ©m, os brasileiros teriam levado ao pĂ© da letra a ideia de “traduzir” o conteĂșdo. Recentemente, a influencer escocesa Kirstie Will denunciou os criadores brasileiros Deisi Remus e Guilherme Cury por copiarem um texto produzido por ela, e conseguiram vencer uma premiação com a cĂłpia.

A partir da denĂșncia, a organização do PrĂȘmio Europa de Comunicação 2025 se pronunciou por meio de nota e confirmou a retirada do prĂȘmio dos brasileiros, apĂłs uma “anĂĄlise detalhada” concluir que o texto “nĂŁo atendia ao requisito de originalidade”. “A fronteira entre inspiração e violação Ă© justamente a presença de autoria original e de valor agregado”, afirma a especialista Yasmin Arrighi.

Para ela, o caso mostra que, inclusive, os famosos vĂ­deos de resenha e avaliação tambĂ©m estĂŁo protegidos pelas redes sociais. “Se tratando dos canais de reação, resenhas e avaliaçÔes, o que costuma ser protegido Ă© o roteiro, a narração, a edição e a performance individual do criador, e nĂŁo o objeto analisado em si (por exemplo, o produto de maquiagem). O conteĂșdo deixa de ser considerado ‘seu’ quando hĂĄ simples reprodução de material alheio sem transformação criativa relevante”, conclui.

Como as plataformas lidam com isso

Para se fazer cumprir a legislação brasileira nas redes sociais, a atuação ativa das plataformas Ă© fundamental para proteger o direito de artistas e criadores. Ao MetrĂłpoles, o YouTube informa que “leva a questĂŁo de direitos autorais a sĂ©rio” e que se empenha diariamente para “garantir que o ecossistema criativo seja sustentĂĄvel, permitindo que os criadores protejam sua propriedade intelectual”.

“Qualquer usuĂĄrio pode utilizar o formulĂĄrio on-line para remoção por direitos autorais para solicitar a retirada de vĂ­deos que considerem infringir seus direitos. Para detentores de direitos que gerenciam grandes volumes, oferecemos ferramentas avançadas como o Copyright Match Tool e o Content ID. Se um criador copiar o conteĂșdo audiovisual especĂ­fico de outra pessoa, nossas ferramentas e polĂ­ticas permitem que o detentor de direitos solicite a remoção ou, em alguns casos, opte por monetizar o vĂ­deo, conforme detalhado acima”, detalha a empresa em nota.

Da mesma forma, o Instagram e o TikTok afirmam que tambĂ©m empregam canais prĂłprios em que a comunidade pode acessar as diretrizes para compartilhamento de vĂ­deos nas plataformas, bem como realizar denĂșncias por infringir direitos autorais, sejam eles do prĂłprio usuĂĄrio ou de terceiros.

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