A brasileira Luana Lara Lopes, de 29 anos, foi destaque na revista Forbes como a bilionária “self-made” (que construiu a própria fortuna) mais nova. A mineira e ex-bailarina do Balé Bolshoi de Joinville, em Santa Catarina, é cofundadora e uma das sócias da Kalshi, plataforma norte-americana de apostas sobre eventos do mundo real.
A empresa anunciou, nesta quarta-feira (3/12), um investimento de US$ 1 bilhão (R$ 5,3 bilhões), catapultando o valor de mercado da empresa para US$ 11 bilhões (R$ 5,9 bilhões) e elevando o patrimônio líquido de Lara, que detém cerca de 12% da companhia, assim como Tarek Mansour, sócio fundador que ela conheceu quando estudou no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT).
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Apesar do título de bilionária, vale ressaltar que o valor da empresa não significa que os acionistas possuam o valor em conta. Na verdade, significa que o mercado projeta esse valor para o negócio como um todo. Ou seja, para os US$ 11 bilhões serem transformados em dinheiro, a empresa teria que ser negociada.
Outro alerta necessário é quanto ao ramo da empresa. Apesar do termo ser associado às casas de apostas (também conhecidas como bets), a Kalshi opera como uma bolsa de valores focada em contratos de eventos reais. Os usuários compram e vendem contratos baseados na expectativa para o futuro, com base em perguntas sobre o clima, política e mercado financeiro, por exemplo.
Luana define a empresa como “um mercado onde os investidores compram e vendem contratos relacionados a eventos, em vez de ações ou criptomoedas”. A empresa é regulamentada pela Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC), agência reguladora do setor nos EUA.
A trajetória de Luana Lara Lopes
Luana Lara Lopes é nascida em Belo Horizonte (MG) e filha de um engenheiro eletricista e uma professora de matemática, além de ter irmã formada em engenharia química. A paixão pela área de exatas parecia estar no sangue, mas ela logo se apaixonou pelo balé. Em Joinville (SC), passou a se dividir entre as duas paixões.
Enquanto se destacava em competições — foi ouro na Olimpíada Brasileira de Astronomia e o bronze na Olimpíada de Matemática de Santa Catarina, também ingressou na Escola do Teatro Bolshoi. Ela chegou a dançar profissionalmente na Áustria, mas deixou as sapatilhas de lado e voltou às contas: “Eu sempre quis ser o melhor que eu poderia ser. Por isso, eu batalhei para dançar no Bolshoi, e depois decidi ir atrás das melhores universidades no mundo”, disse, à Forbes, ainda em 2021, quando foi a a única brasileira na lista Forbes 30 Under 30 dos EUA.
A jovem foi aceita em universidades como MIT, Harvard, Yale e Stanford. Em 2014, ela optou pela primeira, onde se formou em Ciência da Computação. Foi durante o curso que conheceu Tarek Mansour. Os dois tiveram a ideia revolucionária e colocaram o projeto para frente, com auxílio de projetos acadêmicos e empresariais, ainda em 2018, quando ela tinha apenas 22 anos.
“Logo após a faculdade, estávamos assumindo uma quantidade insana de risco. Foram dois anos sem nenhum produto — nada lançado — e, se não fôssemos regulamentados, a empresa simplesmente iria a zero”, recordou Luana, sobre a dificuldade em conseguir parceiros jurídicos para conseguirem a aprovação regulatória para operar nos Estados Unidos.
Atualmente, Luana atua como diretora de operações da Kalshi e é responsável por liderar a estratégia e a operação da empresa. Ela possui cerca de 12% de participação da companhia, assim como Tarek, segundo o New York Times.
