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Doses de mounjaro são vendidas em grupos de vendas no Acre e especialista faz alerta

Por Vitor Paiva, ContilNet

O uso do medicamento Mounjaro sem prescrição e acompanhamento profissional tem gerado alerta entre especialistas da área da saúde, sobretudo diante do aumento da venda irregular do produto por vendedores não autorizados.

A nutricionista Luana Diniz chama atenção para os riscos nutricionais e metabólicos associados ao uso inadequado da medicação, especialmente quando consumida sem orientação médica e nutricional.

O medicamento esta sendo vendido de maneira irregular através das redes sociais/Foto: Reprodução

Segundo a profissional, embora a prescrição, a dosagem e a indicação do Mounjaro sejam atribuições médicas, o impacto do medicamento vai além do controle do apetite. “O grande alerta que faço, enquanto nutricionista, é sobre os impactos nutricionais do uso inadequado ou sem acompanhamento profissional”, afirma.

Luana explica que o medicamento atua reduzindo de forma significativa o apetite, o que pode levar a uma ingestão insuficiente de nutrientes essenciais. “Sem um acompanhamento nutricional adequado, esse paciente corre um risco real de ingerir menos nutrientes do que o necessário, o que pode levar à desnutrição, deficiências nutricionais e, principalmente, à perda acentuada de massa magra”, destaca.

A perda de massa muscular, de acordo com a nutricionista, é um dos efeitos mais preocupantes. Ela aponta que esse processo está diretamente relacionado a alterações estéticas e funcionais. “Essa perda de massa muscular é um dos principais motivos do aspecto de flacidez, da chamada ‘pele derretida’, além de queda no metabolismo, fraqueza e piora da qualidade de vida”, explica.

Diante desse cenário, Luana Diniz reforça que o acompanhamento nutricional é indispensável durante o uso do medicamento. “É fundamental para garantir um aporte adequado de proteínas, vitaminas e minerais, preservar a massa magra, estimular o treino de força e manter a saúde metabólica durante o uso da medicação”, pontua.

A nutricionista explicou os perigos do uso indevido/Foto: Reprodução

Outro ponto destacado pela nutricionista é o risco de efeito rebote quando o tratamento se baseia exclusivamente no uso do medicamento, sem mudanças no comportamento alimentar. “Se a pessoa usa apenas a medicação, sem mudar hábitos e sem aprender a se alimentar corretamente, o risco de efeito rebote após a interrupção do medicamento é muito alto”, alerta. Segundo ela, nesses casos, é comum que o paciente volte a comer em excesso e recupere todo o peso perdido, ou até mais.

O alerta ganha ainda mais relevância diante da comercialização irregular do Mounjaro por vendedores não autorizados, prática que expõe os consumidores a riscos adicionais, como o uso de dosagens inadequadas, falta de orientação sobre efeitos colaterais e ausência de acompanhamento profissional.

No Acre, é possível encontrar doses sendo facilmente vendidas em grupos de vendas na internet. O ContilNet flagrou o medicamento sendo vendido por uma mulher no Marketplace do Facebook:

Para Luana Diniz, o emagrecimento seguro exige uma abordagem integrada. “O tratamento não deve ser apenas medicamentoso. Ele precisa envolver acompanhamento médico e nutricional, foco em qualidade alimentar, proteína adequada, treino e reeducação alimentar, para que o emagrecimento seja saudável, sustentável e seguro”, conclui.

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