Após a aprovação do PL da Dosimetria pela Câmara dos Deputados, na madrugada da quarta-feira (10/12), a direita brasileira reposicionou o discurso sobre a anistia. Parlamentares do Partido Liberal (PL) e aliados passaram a adotar o lema “vencemos uma batalha, em breve venceremos a guerra”, apresentando a dosimetria como um primeiro passo rumo à anistia “ampla, geral e irrestrita”.

Flávio Bolsonaro (PL-RJ)/ Foto: Reprodução
O tom dos discursos indica que a oposição não deve desistir, facilmente, da anistia, mesmo com a eventual aprovação total da dosimetria, e joga dúvidas sobre o tal “preço” mencionado dias antes pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para que ele pudesse desistir da candidatura à Presidência.
Inicialmente, no domingo (7/12), o filho 01 do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) deu a entender que o “preço” seria o pai solto e anistiado. Em seguida, no entanto, ele comemorou o fato de o PL da Dosimetria ter avançado na Câmara, embora a proposta não representasse, necessariamente, a demanda original da direita. “Fico feliz com a decisão e espero que os deputados tomem a melhor escolha sobre essa pauta”, afirmou.
O projeto foi aprovado por 291 votos a 148, mas ainda há um caminho longo a percorrer no Senado. Ele estabelece a redução obrigatória no cálculo das penas dos condenados pelos atos do 8 de Janeiro, beneficiando diretamente os condenados pela trama golpista, a exemplo do ex-presidente, que cumpre pena de 27 anos e 3 meses de prisão.
As reações entre integrantes da direita, porém, demonstram que, mesmo que a medida seja aprovada no Senado, ainda não há satisfação completa, diante do tema. Flávio não deu sinais, até então, sobre o que decidirá em relação à pré-candidatura anunciada na semana passada, tampouco se o “preço” mencionado por ele está sendo atendido. O avanço da dosimetria, no entanto, só ocorreu após reunião de líderes partidários na residência dele, em Brasília, na segunda-feira (8/12).
O deputado Carlos Jordy (PL-RJ) saiu em defesa, na quarta-feira, da candidatura do correligionário. “O ‘preço’ para Flávio recuar na candidatura era a anistia, e não dosimetria. Está mantida a candidatura à Presidência. Agora, mais do que nunca, é Flávio Bolsonaro 2026”, escreveu no X.
