Ainda faltam alguns meses para as eleições de 2026, mas o jogo político já começou a ser montado. Como costuma acontecer, a disputa pelo Planalto se conecta diretamente às eleições para os governos estaduais, mesmo em estados com pouco peso no eleitorado nacional, como o Acre. Aqui, a presidência não decide a eleição, mas ajuda a dar identidade, discurso e alinhamento aos candidatos ao Palácio Rio Branco.
Lula, Flávio Bolsonaro e Tarcísio de Freitas estão entre os mais citados no Acre na última pesquisa para presidente no estado/Foto: Reprodução
Hoje, pelo menos quatro nomes circulam como possíveis candidatos ao governo. Cada um deles, com maior ou menor grau de definição, já começa a desenhar o palanque presidencial que pretende defender.
No campo da direita bolsonarista, o cenário é o mais previsível. Com Flávio Bolsonaro anunciado como candidato à Presidência no lugar do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, declarado inelegível, o PL do Acre se moveu rapidamente. A direção estadual já declarou apoio integral ao senador. Nesse contexto, o prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom, possível candidato ao governo pela sigla, tende a carregar no discurso e no palanque o nome de Flávio Bolsonaro como aposta presidencial.
No Republicanos, a estratégia passa por São Paulo. O senador Alan Rick tem um nome claro para presidente, o governador paulista Tarcísio de Freitas. Tarcísio foi um dos principais incentivadores da ida de Alan para o Republicanos e simboliza o projeto nacional do partido. A incógnita, por enquanto, é se o governador paulista vai mesmo entrar na corrida presidencial ou se continuará sendo tratado como plano A apenas nos bastidores partidários nacionais.
A vice-governadora Mailza Assis, do Progressistas, também olha para Tarcísio como nome preferencial. O PP, junto com outras siglas de centro-direita, articula a construção de uma candidatura própria à Presidência após o anúncio de Flávio Bolsonaro. Além de Tarcísio, circulam nomes como Romeu Zema, Eduardo Leite, Ronaldo Caiado e Ratinho Júnior. A escolha final deve sair desse grupo. Nos bastidores locais, o governador Gladson Cameli, principal aliado de Mailza, já deixou claro que seu favorito é Tarcísio.
No campo da esquerda, o desenho é mais direto. O médico Thor Dantas deve ser o candidato ao governo apoiado pelo presidente Lula no Acre. A sinalização veio de forma pública, com a presença do presidente nacional do PCdoB no estado para anunciar o projeto. O partido integra a federação com o PT e outros aliados, o que garante alinhamento automático com o Planalto.
No fim das contas, o eleitor acreano deve assistir a uma eleição estadual fortemente marcada por símbolos nacionais. Mesmo sem decidir o resultado da disputa presidencial, o Acre entra no mapa político como vitrine de alianças, discursos e apostas para 2026. Os palanques começam a ser montados agora. E, como sempre, eles dizem muito mais do que os discursos oficiais admitem.
