Escalada de violĂȘncia: no DF, 75% dos feminicidas tinham antecedentes

Por MetrĂłpoles 27/12/2025

Desde que a Lei do FeminicĂ­dio entrou em vigor, em 2015, o Distrito Federal contabilizou 220 autores deste tipo de crime. A grande maioria deles possuĂ­a antecedentes criminais antes de se tornar feminicida.

A informação consta no Estudo dos Suspeitos/Autores de FeminicĂ­dio Consumado no DF, elaborado pela Secretaria de Segurança PĂșblica do DF (SSP-DF). 75,9% dos autores jĂĄ haviam sido presos por algum tipo de crime antes de cometer feminicĂ­dio; 24,1% nĂŁo tinham antecedentes criminais.

Os crimes mais frequentes registrados nas fichas dos feminicidas sĂŁo ameaça (17,31%), lesĂŁo corporal (15,15%) e calĂșnia, difamação ou injĂșria (13,29%). O estudo tambĂ©m destaca vias de fato (8,04%) e resistĂȘncia/desobediĂȘncia/desacato (6,96%).

Veja em detalhes no grĂĄfico:

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Como Ă© possĂ­vel ver no grĂĄfico, o nĂșmero de ocorrĂȘncias Ă© maior do que o de autores. Isso porque cada autor soma, em mĂ©dia, 5,5 ocorrĂȘncias anteriores aos crimes de feminicĂ­dio.

Ainda segundo a SSP-DF, em 16% dos casos, os antecedentes incluem os chamados procedimentos de apuração de ato infracional (PAAIs), o que indica que os autores se envolveram em condutas violentas antes da maioridade.

O estudo leva em consideração o período entre março de 2015 e 22 de agosto de 2025.

64% das vĂ­timas sofreram violĂȘncia domĂ©stica

O mesmo levantamento da Secretaria de Segurança PĂșblica do DF aponta que mais da metade das mulheres vĂ­timas de feminicĂ­dio na capital sofreram violĂȘncia domĂ©stica antes de morrer.

Desde 2015, 226 mulheres foram mortas no DF, e 144 delas (64%) sofreram violĂȘncia domĂ©stica. Destas, porĂ©m, apenas 48,1% havia registrado ocorrĂȘncia policial ou depoimento em processo judicial apontando ter sido alvo de violĂȘncia domĂ©stica. Ou seja, 16% das mulheres que foram agredidas em casa e foram mortas em seguida nĂŁo registraram formalmente as agressĂ”es.

Os dados comprovam a subnotificação em casos de violĂȘncia domĂ©stica no DF, o que, para a Secretaria, Ă© “fator crĂ­tico na prevenção do feminicĂ­dio” e ressalta a importĂąncia da denĂșncia contra o agressor.

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36% dos assassinos fizeram uso de droga

O mesmo compilado da SSP-DF aponta que 220 homens foram indicados como autores de feminicĂ­dio no DF nos Ășltimos 10 anos. Do total, pelo menos 36,4% estavam sob efeito de substĂąncias ilĂ­citas no momento do crime.

Entre os autores, 31,4% declararam fazer uso de ålcool no momento do crime, enquanto 36,4% relataram o uso de drogas ilícitas. Dentre os autores que haviam informaçÔes sobre o uso de entorpecentes, destaca-se a cocaína (54%) e a maconha (38%).

O delegado Marcelo Zago Ferreira, coordenador da cùmara técnica de monitoramento de homicídios e feminicídios da SSP-DF, aponta que também hå subnotificação neste recorte de uso de drogas e ålcool. Isso porque nem sempre é possível confirmar, ao longo da investigação, se o agressor havia consumido alguma das substùncias.

“A gente parte de um nĂșmero mĂ­nimo. No estudo, no mĂ­nimo 31% estavam sob efeito de ĂĄlcool e no mĂ­nimo 38% sob efeito de drogas. Mas esse percentual pode ser maior, porque muitas vezes essa informação nĂŁo Ă© coletada em nenhuma fase do processo”, explica Ferreira. “NĂŁo Ă© sempre que o suspeito Ă© submetido a perĂ­cia. Às vezes, a identificação do uso Ă© simples, quando hĂĄ embriaguez evidente. Em outros casos, nĂŁo.”

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