Escravas sexuais brasileiras na Espanha tinham 15 “clientes” por dia

Por MetrĂłpoles 11/12/2025 Ă s 01:02

As 28 brasileiras que eram mantidas como escravas sexuais e que foram resgatadas pela Polícia Nacional da Espanha, na cidade de Álava, viviam em condiçÔes desumanas e eram obrigadas a ter relaçÔes com até 15 homens por dia, de acordo com investigaçÔes realizadas em parceria com a Polícia Federal (PF).

Nesta quarta-feira (10/12), foi deflagrada a Operação AlĂ­cia, para desarticular o nĂșcleo da organização criminosa responsĂĄvel por recrutar as mulheres no Brasil. Foram cumpridos mandados em SĂŁo Paulo, Ubatuba, JundiaĂ­ e em Rio das Ostras, no Rio de Janeiro.

TrĂȘs aliciadores foram presos: um homens e duas mulher. Outras duas pessoas foram presas na Espanha.

As vítimas do grupo, segundo a PF, eram garotas de programa em situação de vulnerabilidade, que atendiam em casas noturnas de diferentes cidades. Os aliciadores se aproximavam, oferecendo clientes estrangeiros, melhores condiçÔes de trabalho e mais recursos.

A Polícia Federal estima que a organização criminosa tenha obtido aproximadamente R$ 40 milhÔes com o tråfico de pessoas. O montante foi bloqueado judicialmente.

“Quando elas chegavam na Espanha, as condiçÔes eram completamente diferentes daquelas prometidas”, afirma o delegado da PF Daniel Coraça. “As passagens aĂ©reas de retorno eram canceladas, o passaporte ficava com a organização criminosa e as condiçÔes de trabalho lĂĄ para da prostituição eram eram degradantes”, complementa.

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“Elas nĂŁo podiam, por exemplo, recusar algum cliente. Tinham que fazer atĂ© 15 programas por dia. Se o cliente fosse usuĂĄrio de droga e quisesse usar junto com a vĂ­tima, elas eram obrigadas a usar a droga. Tudo isso ocorria sob a ameaça da organização criminosa, que tinha ramificação no Brasil. Diziam que conheciam os parentes, a mĂŁe, os filhos. Elas ficavam com medo”, acrescenta Coraça.

Ainda segundo o delegado, com o objetivo de despistar as autoridades, as mulheres mantidas como escravas sexuais eram transferidas de cidades regularmente pela quadrilha. Elas eram mantidas em grandes imĂłveis alugados, sempre sob a custĂłdia de pelo menos um dos criminosos. Os “clientes” eram atraĂ­dos atĂ© o local por meio de anĂșncios na internet. AtĂ© o momento, nĂŁo hĂĄ indĂ­cios de que eles soubessem das condiçÔes em que as mulheres se encontravam.

“Os valores pagos nĂŁo ficavam com elas, ficava com a organização. Ficava muito pouco com elas. Como se isso nĂŁo bastasse, ainda havia uma dĂ­vida que a organização criminosa cobrava por hospedagem. ‘VocĂȘ vai pagar 400 euros por estar hospedada’. EntĂŁo, qualquer lucro que elas tinham era usado para isso, e virava uma dĂ­vida enorme, impagĂĄvel”, disse o delegado.

As 28 brasileiras foram libertadas em junho deste ano, com outras cinco estrangeiras, em uma operação da Polícia Nacional da Espanha. A partir disso, foi possível identificar os aliciadores e outros integrantes da organização criminosa.

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