O ministro do STF, Flávio Dino, fez duras crĂticas ao uso irregular de emendas parlamentares e afirmou que as denĂşncias recebidas apontam para um cenário de corrupção espalhada em diferentes nĂveis do poder pĂşblico.
Durante seu depoimento, Dino afirmou que o seu principal objetivo é garantir que as obras financiadas com recursos públicos realmente existam. “Eu só quero que a obra exista. Não dá pra usar a emenda pra fazer uma quadra e não ter a quadra”, declarou.

Declarações revelam pressĂŁo polĂtica e desafios no combate Ă s fraudes em emendas / AgĂŞncia O Globo
Segundo o ministro, as investigações surgem porque há indĂcios concretos de irregularidades. Ele explicou que essas informações chegam por meio da imprensa, alĂ©m de prefeitos, governadores e parlamentares. Em um dos relatos feitos por ele, um deputado teria ido ao seu gabinete relatar problemas graves envolvendo emendas. Dino afirmou que nĂŁo poderia simplesmente ignorar o caso. “Eu nĂŁo sou mais polĂtico, eu sou juiz. Eu vou ter que tomar providĂŞncia”, relatou.
O ministro tambĂ©m citou audiĂŞncias pĂşblicas realizadas para tratar do tema e afirmou que recebeu relatos de governadores que alertaram sobre a gravidade da situação envolvendo emendas nos estados e municĂpios. De acordo com ele, fechar os olhos por razões polĂticas nĂŁo seria uma opção.
Durante o depoimento, Dino reforçou que não se trata apenas de discurso, mas de decisões judiciais já tomadas após ouvir as partes envolvidas. Para ele, quando o Ministério Público aponta irregularidades, é necessário agir, principalmente quando obras simplesmente deixam de ser executadas.
Ao usar uma comparação, o ministro criticou o uso indevido dos recursos. “NĂŁo pode roubar o prato, o copo, a xĂcara, a colher, quebrar a estante”, afirmou, ao defender que descentralizar recursos nĂŁo significa permitir desvios. Ele tambĂ©m utilizou a metáfora do trem para explicar o papel do Judiciário. Segundo Dino, Ă© preciso cuidar dos trilhos para que os recursos cheguem ao destino e nĂŁo sumam no meio do caminho. “Isso Ă© um papel tipicamente jurisdicional: garantir a autoridade da lei”, concluiu.

