Glauber Braga é retirado à força após ocupar mesa da Cùmara

Por AgĂȘncia Brasil 09/12/2025 Ă s 19:02


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O deputado federal Glauber Braga (PSOL-RJ) ocupou a cadeira da presidĂȘncia da CĂąmara dos Deputados, no plenĂĄrio da Casa, na tarde desta terça-feira (9), e foi arrancado Ă  força por agentes da PolĂ­cia Legislativa Federal.Glauber Braga Ă© retirado Ă  força apĂłs ocupar mesa da CĂąmaraGlauber Braga Ă© retirado Ă  força apĂłs ocupar mesa da CĂąmara

A ocupação começou como protesto do parlamentar, apĂłs o presidente da CĂąmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), anunciar que levaria ao plenĂĄrio o pedido de cassação do deputado, juntamente com os processos de Carla Zambelli (PL-SP) e Delegado Ramagem (PL-RJ), os dois Ășltimos condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Os casos nĂŁo tem relação entre si.

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Além disso, Motta também pautou a votação do projeto para reduzir as penas dos envolvidos na trama golpista.

“Que me arranquem desta cadeira e me tirem do plenĂĄrio”, disse o deputado.

Braga pode perder o mandato por ter agredido, com um chute, um militante do Movimento Brasil Livre (MBL), no ano passado, apĂłs ser provocado.

Ao ocupar a cadeira de presidente, Glauber Braga criticou a postura de Motta, em agosto, quando deputados de oposição obstruíram fisicamente a mesa diretora do plenårio, por cerca de 48 horas. Na ocasião, não houve retirada forçada dos parlamentares e nenhum foi punido. Desta vez, no entanto, menos de uma hora após o protesto, Glauber foi arrancado por agentes de segurança.

O sinal da TV Cùmara, que transmitia ao vivo a sessão em plenårio, foi imediatamente cortado e a imprensa, retirada de forma obrigatória, sem poder acompanhar a situação. Até o momento, não foi informado se a decisão de cortar a transmissão e mandar esvaziar o plenårio e a galeria foi dada por Hugo Motta.

Imagens registradas por deputados mostram o momento em que o Glauber Braga é retirado à força, sob protestos de parlamentares aliados.

Braga foi encaminhado para o Salão Verde, fora do plenårio Ulysses Guimarães, com as roupas rasgadas. Ele falou com a imprensa no local, ao lado de deputados governistas, onde fez duras críticas à ação.

“O senhor [Hugo Motta], que sempre quis demonstrar, como se fosse o ponto de equilĂ­brio, entre forças diferentes, isso Ă© uma mentira. Porque com os golpistas que sequestraram a mesa, sobrou docilidade, agora com quem nĂŁo entra no jogo deles, Ă© porrada. Os caras ficaram 48 horas, eu fiquei algumas poucas horas, e jĂĄ foi suficiente para este tipo de ação”, afirmou Glauber.

“O que estĂĄ acontecendo agora Ă© uma ofensiva golpista. A votação da minha cassação com uma inelegibilidade de oito anos nĂŁo Ă© um fato isolado. Nesse mesmo pacote, eles querem votar a anistia, que nĂŁo Ă© dosimetria, levando a possibilidade de que Jair Bolsonaro sĂł tenha dois anos de pena. Combinado com isso, eles querem manter os direitos polĂ­ticos de Eduardo Bolsonaro. Porque quando hĂĄ o desligamento por faltas, a pessoa continua elegĂ­vel”, criticou.

O parlamentar disse ainda que lutarå até o fim pelas liberdades democråticas.

“AmanhĂŁ [10] tem a votação, no plenĂĄrio da CĂąmara, da cassação. Eles podem atĂ© cassar o mandato, mas eles tĂȘm que ter a certeza que, atĂ© o Ășltimo minuto, eu vou estar lutando nĂŁo Ă© por mim, pelo mandato, nĂŁo. Eu vou estar lutando para que eles nĂŁo firam as liberdades democrĂĄticas em um pacote golpista, como eles estĂŁo tentando fazer. Hoje, fazem comigo, amanhĂŁ fazem com outra forças populares, democrĂĄticas, e isso nĂŁo tem como aceitar”, completou.

Em nota pela rede social X, Motta afirmou que Glauber Braga desrespeitou a CĂąmara dos Deputados e o Poder Legislativo. “Inclusive de forma reincidente, pois jĂĄ havia ocupado uma comissĂŁo em greve de fome por mais de uma semana.” 

“O agrupamento que se diz defensor da democracia, mas agride o funcionamento das instituiçÔes, vive da mesma lĂłgica dos extremistas que tanto critica. O extremismo nĂŁo tem lado porque, para o extremista, sĂł existe um lado: o dele. Temos que proteger a democracia do grito, do gesto autoritĂĄrio, da intimidação travestida de ato polĂ­tico. Extremismos testam a democracia todos os dias. E todos os dias a democracia precisa ser defendida”, afirmou Motta. 

Ele disse ainda que determinou a apuração de possíveis excessos em relação à cobertura da imprensa.

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