Glauber Braga pega suspensão de seis meses após confusão na câmara

Por Bacci Notícias 11/12/2025 às 00:03

A Câmara dos Deputados decidiu nesta quarta-feira (10) suspender por seis meses o mandato do deputado federal Glauber Braga (PSOL-RJ). A punição foi aprovada pelo plenário com 318 votos favoráveis, 141 contrários e três abstenções, após um processo que pedia a cassação definitiva do parlamentar.

O Conselho de Ética havia recomendado a perda do mandato, mas uma articulação construída ao longo do dia em plenário resultou na aplicação de uma pena mais branda. Aliados de Glauber conseguiram apoio, inclusive de partidos do Centrão, para aprovar uma emenda que substituiu a cassação pela suspensão temporária, considerada uma vitória política do deputado.

Durante os debates, parlamentares afirmaram que o comportamento de Glauber ao longo do processo pesou contra ele, especialmente pela forma como reagiu às punições. Deputados criticaram a ocupação da Mesa Diretora na véspera da votação e disseram que o psolista priorizou ações midiáticas em vez de diálogo interno.

Articulação política e divisão no plenário

A construção da pena alternativa contou com apoio de parlamentares de centro. O deputado Fausto Pinato (PP-SP) afirmou que não concordava com a cassação e defendeu a suspensão por seis meses, destacando o caráter plural do Parlamento.

Deputados da direita afirmaram que a Secretaria de Relações Institucionais (SRI) atuou para evitar a perda do mandato de Glauber, em troca de liberação de emendas. O governo negou. O secretário de Assuntos Parlamentares da SRI, André Ceciliano (PT-RJ), confirmou contatos com parlamentares de diferentes partidos, mas afirmou que não houve qualquer oferta de benefícios.

A oposição também se dividiu. No PL, o vice-líder Bibo Nunes (RS) chegou a orientar voto pela punição menor, alegando falta de votos para cassar o parlamentar. A posição levou à sua destituição da vice-liderança pelo líder da sigla, Sóstenes Cavalcante (RJ).

O caso que motivou a punição

O processo contra Glauber Braga teve origem em episódios ocorridos em abril deste ano, quando o deputado se envolveu em embates físicos com o militante do MBL Gabriel Costenaro e, posteriormente, com o deputado Kim Kataguiri (União-SP).

A discussão começou em um dos anexos da Câmara, evoluiu para empurrões e chutes, na tentativa de retirar Costenaro das dependências da Casa, e continuou do lado de fora, sendo interrompida por policiais legislativos. Os envolvidos foram levados ao Departamento de Polícia Legislativa (Depol), onde houve novo desentendimento com Kim Kataguiri.

Ocupação da Mesa Diretora

Na terça-feira (9), véspera da votação, Glauber Braga ocupou por cerca de duas horas a cadeira da Presidência da Mesa Diretora da Câmara, em protesto contra a decisão do presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), de pautar o pedido de cassação.

O deputado sentou-se na cadeira por volta das 15h30, conduziu a sessão, voltou ao posto após breve saída e anunciou que não deixaria mais o local, em desrespeito ao regimento interno. Às 18h08, ele foi retirado à força por policiais legislativos.

Durante o tumulto, a TV Câmara interrompeu a transmissão, jornalistas foram retirados do plenário e a deputada Célia Xakriabá (PSOL) chegou a cair. A deputada Sâmia Bomfim (PSOL-SP), esposa de Glauber, tentou impedir a retirada, e o terno do parlamentar foi rasgado.

Após o episódio, Hugo Motta afirmou que Glauber é reincidente em atitudes de confronto e que suas ações não encontram respaldo no regimento nem na “liturgia do cargo”. O presidente da Câmara também determinou apuração sobre possíveis excessos da segurança e justificou a retirada do deputado com base em normas internas de segurança do Legislativo.

Com a decisão do plenário, Glauber Braga permanece com o mandato, mas ficará afastado de suas funções parlamentares por seis meses.

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