Moradores e comerciantes de bairros da Grande São Paulo enfrentam uma crise prolongada no fornecimento de energia elétrica. Em algumas regiões, a falta de luz já chega a quatro dias consecutivos e tem provocado prejuízos financeiros, insegurança e acidentes.
No bairro do Brás, na região central da capital, um idoso de 92 anos caiu dentro do prédio onde mora ao tentar subir as escadas no escuro. O acidente ocorreu na tarde de sexta-feira (13). Segundo a síndica Fernanda Chaves, o morador caiu no quarto andar e foi encontrado desacordado pelo zelador, com ajuda de outro residente.
O idoso foi socorrido e levado a um hospital, com ferimento na cabeça, e permanece internado. De acordo com os moradores, o prédio estava sem energia desde a quarta-feira (11). Após o acidente, equipes da Enel chegaram ao local e religaram a luz cerca de uma hora depois.
Moradores afirmam que ao menos 70 chamados foram abertos junto à concessionária desde o início do apagão, sem retorno efetivo. A falta de energia compromete elevadores, iluminação das áreas comuns e o abastecimento de água, que depende de bombas elétricas.
Prejuízos no comércio
A crise também atinge o comércio, especialmente estabelecimentos que dependem de refrigeração. Nos bairros afetados, moradores tentam improvisar para evitar a perda total de alimentos. Na Rua Humaitá, apenas a Unidade Básica de Saúde mantém energia, por contar com gerador próprio. Nas residências ao redor, geladeiras e freezers ficaram desligados por dias.
Diante da situação, a Justiça notificou a Enel e determinou o restabelecimento imediato do fornecimento de energia nas áreas afetadas. Na decisão, o juiz destacou que o problema não é isolado, citando apagões registrados em 2023 e 2024, e apontou que a omissão da concessionária é grave, com mais de 72 horas sem um plano de contingência eficaz e sem comunicação adequada com a população, o que evidenciaria falha estrutural na prestação do serviço.
A Enel afirmou estar preparada para situações como essa. A empresa informou que executa anualmente um plano de contingência chamado Plano Verão. Além disso, a Enel informou que a expectativa é normalizar o fornecimento de energia até o fim do domingo, o que totalizaria cinco dias desde o início do apagão.
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