O jornal britânico Financial Times publicou nesta segunda-feira (1º/12) uma análise contundente sobre a atual situação da família Bolsonaro. Segundo o veículo, a tentativa de Eduardo Bolsonaro de intervir nos Estados Unidos para evitar a prisão do pai “fracassou de forma espetacular” e acabou acelerando o desgaste do bolsonarismo no Brasil.
De acordo com a reportagem, Eduardo atuou nos EUA tentando convencer aliados de Donald Trump a pressionarem o governo americano contra medidas que afetariam o agronegócio e industriais brasileiros — em troca, esperava gerar algum tipo de constrangimento ou recuo do Supremo Tribunal Federal (STF). O resultado, porém, foi o oposto: novas tarifas de 50% sobre produtos brasileiros irritaram empresários, desgastaram ainda mais Brasília e não tiveram qualquer efeito sobre a crise política de Jair Bolsonaro.
Reprodução/Metrópoles
O jornal afirma que Eduardo vive hoje uma espécie de autoexílio nos EUA, temendo que seu retorno ao Brasil resulte em investigação por possível obstrução de Justiça. Para analistas ouvidos pelo Financial Times, o episódio escancarou a perda de rumo do grupo.
Uma fonte do mercado financeiro brasileiro foi direta:
“Os erros da família Bolsonaro destruíram valor político. A família enlouqueceu, e o que Eduardo fez é absolutamente repreensível.”
Bolsonaro: “solitário e abatido”
O Financial Times descreve Jair Bolsonaro como isolado e fragilizado desde que foi preso, em 22 de novembro. A justificativa dada pelo ex-presidente — de que teria danificado a tornozeleira eletrônica por efeito colateral de remédios contra soluço — foi vista como mais um capítulo do desgaste público.
Murillo de Aragão, da Arko Advice, disse ao jornal:
“O eleitor olha para o bolsonarismo e pensa: que porcaria é essa? O cara enlouqueceu.”
Direita em busca de novo líder
Com o clã enfraquecido, o jornal afirma que a direita brasileira tenta se reorganizar sem depender da família Bolsonaro. O nome mais bem posicionado hoje, segundo o mercado e setores conservadores, é o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.
O Financial Times afirma que Tarcísio só toparia disputar a Presidência caso Bolsonaro desistisse de insistir em outro Bolsonaro — algo que Eduardo tenta evitar. O jornal lembra que o deputado já atacou Tarcísio ao chamá-lo de “candidato do establishment”, o que reforça o racha interno.
Mesmo com boa aceitação entre conservadores, Tarcísio enfrentaria um cenário desafiador: o presidente Lula, que deve disputar o quarto mandato, mantém vantagem eleitoral e se beneficia de um momento econômico considerado positivo — emprego e renda em alta e impacto limitado das tarifas americanas.
Segundo um aliado ouvido pelo jornal, Bolsonaro pretende decidir ainda este ano se apoiará um nome de fora do clã ou se continuará priorizando a dinastia política dos filhos.
Fonte: Financial Times/Metrópoles
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