O deputado SĂłstenes Cavalcante (RJ), lĂder do PL na Câmara dos Deputados, negou nesta sexta-feira (19) ter praticado qualquer ilĂcito relacionado a desvios de verbas de gabinete e disse que os R$ 400 mil em dinheiro vivo encontrados em sua residĂŞncia sĂŁo provenientes da venda de um imĂłvel. 

“NĂŁo tem nada de contrato ilĂcito. NĂŁo tem nada de lavagem de dinheiro”, afirmou o parlamentar em entrevista coletiva no SalĂŁo Verde da Câmara dos Deputados, referindo-se Ă s suspeitas levantadas pela PolĂcia Federal (PF) em relação a contratos para o aluguel de carros para seu gabinete.Â
NotĂcias relacionadas:
- Movimentações suspeitas envolvendo Sóstenes e Jordy somam R$ 28,6 mi.
- PF faz ação contra assessores de Carlos Jordy e Sóstenes Cavalcante.
- Dino autoriza buscas em apartamento do deputado AntĂ´nio Doido.
Em relação ao dinheiro encontrado em um saco plástico dentro de um armário na casa de SĂłstenes, o deputado disse que sua origem lĂcita será comprovada por seus advogados e que todo o caminho do dinheiro está registrado.Â
Questionado, SĂłstenes disse nĂŁo se lembrar de quando o imĂłvel foi vendido ou há quanto tempo guarda o dinheiro vivo em casa. “Com essa correria de trabalho acabei nĂŁo fazendo o depĂłsito”, explicou o parlamentar. “NinguĂ©m pega dinheiro ilĂcito e bota dentro de casa ”, acrescentou o lĂder do PL.Â
Ele tambĂ©m se negou a revelar onde fica o imĂłvel vendido, alegando a privacidade da transação. Sobre os carros alugados, ele afirmou que utiliza os veĂculos, razĂŁo pela qual nĂŁo se poderia falar em lavagem de dinheiro. “O carro sempre esteve aqui, Ă© sĂł olhar as câmeras para buscar e ver se estou colocando algum contrato para ressarcimento ilĂcito”.Â
Perguntado sobre a locadora contratada pelo gabinete, que parece nĂŁo funcionar no endereço declarado nos contratos, SĂłstenes respondeu nĂŁo saber os detalhes sobre as contratações. “A Ăşnica orientação que dou Ă minha equipe Ă© para o preço baixo, nĂŁo quero sobrepreço”, disse.Â
O deputado disse que a investigação contra ele Ă© “mais uma para perseguir quem Ă© da oposição, quem Ă© conservador, quem Ă© de direita”. Segundo o parlamentar, o objetivo Ă© criar uma “cortina de fumaça” sobre casos ligados Ă esquerda, sobretudo com a aproximação das eleições de 2026.Â
Entenda
SĂłstenes Cavalcante foi alvo nesta sexta-feira da Operação Galho Fraco, que apura desvios no aluguel de carros com a cota parlamentar, verba destinada a pagar as despesas correntes de gabinete.Â
Ao menos sete mandados de busca e apreensĂŁo pessoal, veicular e em imĂłveis foram cumpridos nas primeiras horas desta sexta-feira por agentes da PolĂcia Federal, autorizadas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino.Â
Relator da ação na qual a PolĂcia Federal investiga desvios de recursos de emendas parlamentares, Dino levantou o sigilo das investigações. A corporação apontou R$ 28,6 milhões em movimentações suspeitas nas contas de pessoas ligadas a SĂłstenes Cavalcante, incluindo assessores atuais e antigos e familiares.Â

