Líder religioso é investigado por série de abusos e vítimas podem chegar a 12

Polícia apura denúncias contra ex-integrante da Igreja Batista Filadélfia suspeito de estupro de vulnerável

A Polícia Civil do Distrito Federal investiga novas denúncias contra Gabriel de Sá Campos, de 30 anos, suspeito de cometer abusos sexuais contra adolescentes que frequentavam a Igreja Batista Filadélfia, no Guará 2. Inicialmente, quatro vítimas foram identificadas, mas o número pode chegar a 12, após a apuração de outras oito possíveis vítimas.

O caso é conduzido pela 4ª Delegacia de Polícia, que apura crimes de estupro de vulnerável cometidos, segundo os investigadores, de forma reiterada, planejada e ao longo de pelo menos seis anos. Gabriel ocupava posição de liderança no ministério de adolescentes da igreja, o que lhe permitia acesso direto e frequente às vítimas.

Reprodução

Padrão de abuso e manipulação

De acordo com a polícia, o investigado utilizava sua função como instrutor de um curso de “integridade sexual” oferecido pela igreja para obter informações íntimas e explorar fragilidades emocionais dos adolescentes, todos do sexo masculino. Os relatos apontam que os abusos ocorreram quando as vítimas tinham entre 10 e 17 anos.

Em um dos episódios, o abuso teria ocorrido dentro da própria igreja, durante uma festa do pijama sob responsabilidade do suspeito. Em outras situações, ele convidava os adolescentes para sua casa com o pretexto de assistir a filmes, ocasião em que cometia os crimes.

As vítimas relatam que, mesmo após pedidos para que ele parasse, o suspeito persistia nos atos. Para escapar das investidas, alguns adolescentes chegaram a se esconder em banheiros ou pedir que os pais fossem buscá-los.

As investigações indicam ainda que os abusos não aconteciam simultaneamente. Segundo a polícia, Gabriel se aproximava de um adolescente por vez, criava vínculo e, após o afastamento da vítima, passava a agir contra outro jovem.

Prisão e medidas judiciais

Gabriel de Sá Campos está preso temporariamente desde sexta-feira (19/12), com prazo inicial de 30 dias, que pode ser prorrogado. A Justiça também determinou busca e apreensão domiciliar, quebra de sigilos telefônico e telemático dos últimos cinco anos, além de medidas protetivas, como a proibição de se aproximar das vítimas em um raio de 300 metros e o afastamento definitivo de qualquer função religiosa.

O delegado responsável pelo caso destacou que a polícia seguirá investigando com rigor.

“A Polícia Civil do Distrito Federal reafirma seu compromisso com a proteção integral de crianças e adolescentes e assegura que crimes contra a dignidade sexual de vulneráveis serão rigorosamente investigados, independentemente do contexto social, religioso ou familiar”, afirmou.

Tentativas de silenciamento

Segundo os relatos colhidos pela investigação, quando um dos casos veio à tona, em dezembro de 2024, o pai do investigado — que também é presidente da igreja — teria classificado o ocorrido como “brincadeira” ou “ato involuntário”, pedindo silêncio às famílias.

Em uma reunião interna realizada em novembro deste ano, um diácono teria se referido aos crimes como “mal-entendidos” e sugerido um “pacto de sigilo”, alegando que “problemas da igreja se resolvem na igreja, não na polícia”. Há ainda relatos de intimidação por parte da mãe do investigado, que teria acusado adolescentes de “falso testemunho” e ameaçado processar as famílias.

Apesar de uma carta lida à congregação informando o afastamento de Gabriel, a polícia aponta que ele continuou frequentando cultos e acessando áreas restritas da igreja.

O que diz a igreja

Em nota, a Igreja Batista Filadélfia afirmou que é falsa a informação de que o investigado continuava exercendo funções de liderança em 2025 e destacou que ele nunca foi pastor da instituição.

A igreja negou qualquer tentativa de encobrir os fatos e afirmou que sempre orientou as famílias a procurarem as autoridades.

“A igreja entende que o acolhimento espiritual não substitui, em hipótese alguma, o dever de buscar a Justiça estatal”, diz o comunicado.

A instituição afirmou ainda que colabora com as investigações e que o sigilo do caso visa proteger as vítimas e suas famílias.


Fonte: Polícia Civil do Distrito Federal
✍️ Redigido por ContilNet

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