O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reafirmou nesta quarta-feira (3/12) a defesa ao nome de Jorge Messias para a vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) e disse não entender o “porquê da polêmica” em torno do nome do Advogado-Geral da União.
Apesar da crescente tensão causada entre o Executivo e o Legislativo após a indicação de Messias -algo que desagradou profundamente o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), Lula também se disse “tranquilo” com relação à aprovação de Messias.
“Sinceramente, eu não entendo o porquê da polêmica. Não é o primeiro ministro que eu indico. Eu já indiquei oito ministros. Eu simplesmente escolho uma pessoa, mando para o Senado, e o Senado, então, faz um julgamento para saber se a pessoa está qualificada ou não. Eu não sei por que foi transformada num problema político dessa monta, sabe? Eu espero que seja resolvido. Eu estou muito tranquilo com relação a isso”, afirmou em entrevista ao Bom Dia, Ceará.
Segundo o presidente, embora a escolha do AGU tenha sido vista como baseada em sua proximidade pessoal com Messias, Lula reafirma que “cumpriu seu papel” ao escolher alguém com qualificação profissional digna de uma ministro da mais alta corte do país.
“Eu cumpri com o meu papel, mas tem um nome que eu entendo que tem qualificação profissional para ser ministra da Suprema Corte. Qualificação comprovada como advogado-geral da União”, declarou.
A sabatina de Messias, que vinha sendo uma incógnita para a base governista no Congresso quanto a sua aprovação, foi cancelada na tarde de terça-feira (2/12) por Alcolumbre, após acusar o Planalto de “omissão grave” por não enviar a mensagem oficial ao Senado com a indicação de Messias.
O anúncio foi feito pelo próprio presidente do Senado em plenário, e dizia que “essa omissão, de responsabilidade exclusiva do Poder Executivo, é grave e sem precedentes. É uma interferência no cronograma da sabatina, prerrogativa do Poder Legislativo”.
A data da análise pelos senadores ainda não foi remarcada, e especula-se que ela pode ser deixada somente para o ano que vem. O movimento, no entanto, foi visto com bons olhos pelo governo, que terá mais tempo para articular votos para o nome escolhido por Lula.

