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Mailza quer fortalecer vínculos com membros do União Brasil para evitar ‘debandada’

Por Matheus Mello, ContilNet

Quem participou do acender das luzes de Natal em Rio Branco no último final de semana percebeu que a cerimônia teve mais do que decoração e música. Nas escadarias do Palácio Rio Branco, onde a vice-governadora Mailza Assis comandou o evento, foi possível ver a movimentação que ela pretende intensificar nos próximos meses, uma aproximação cuidadosa com o União Brasil.

A composição do dispositivo deixou pistas. Ao lado de Mailza e do presidente da FEM, Minoru Kinpara, que coordena a parte cultural da ornamentação natalina, havia apenas dois parlamentares, ambos do União Brasil, Coronel Ulysses e Eduardo Velloso. Não foi acaso. Foi sinal.

Mailza ao lado dos dois deputados do União Brasil/Foto: Ingrid Kelly

O União Brasil vive um momento delicado no país desde a federação com o Progressistas, partido de Mailza. A fusão provocou uma debandada nacional e, no Acre, já custou ao UB o senador Alan Rick, que migrou para o Republicanos alegando falta de espaço no novo arranjo. Mailza não quer que o movimento se repita com outras figuras relevantes da sigla no estado.

O gesto no evento de Natal foi o começo de uma estratégia mais ampla. Mailza quer segurar o que considera essencial para o próximo ciclo político, o capital parlamentar do União Brasil no Acre. Além de Ulysses e Velloso, a legenda conta com a deputada federal Meire Serafim. A tendência natural é que Meire acompanhe o projeto de Mailza, já que seu marido, Mazinho Serafim, está alinhado ao governador Gladson Cameli.

Na Assembleia Legislativa, o UB reúne três deputados. São quadros importantes e a vice-governadora trabalha para evitar que eles busquem outros caminhos diante das mudanças provocadas pela federação. O esforço é para mostrar que há espaço, influência e rota definida ao lado dela.

O acender das luzes, portanto, serviu mais do que para abrir oficialmente o Natal. Funcionou como recado político. Mailza quer o União Brasil por perto e começou a dizer isso com palco, plateia e iluminação especial.

Velloso entra no radar de Mailza para o Senado

O deputado federal Eduardo Velloso, do União Brasil, já chegou a se colocar como pré-candidato ao Senado e voltou a ser observado com atenção no entorno da vice-governadora Mailza Assis. Ele aparece como uma alternativa caso algumas alianças não avancem, especialmente com o PL.

O cenário no PL tem obstáculos. Márcio Bittar busca a reeleição ao Senado e mantém forte influência interna. Além disso, um dos principais aliados dele, o prefeito Tião Bocalom, já anunciou que pretende disputar o Governo em 2026. Essa combinação reduz o espaço para ajustes políticos e dificulta acordos mais amplos.

Por isso, Mailza avalia outras possibilidades. Se a aproximação com o PL não entregar o alinhamento que ela espera, Velloso se torna uma opção viável para uma composição majoritária, já que pertence ao União Brasil, partido que ela tenta manter por perto, e demonstra interesse em disputar o Senado.

O nome dele volta a ganhar circulação nos diálogos políticos e pode se firmar como escolha estratégica caso o cenário avance para um desenho diferente nos próximos meses.

União Brasil e Progressistas acumulam impasses pelo país

A federação entre União Brasil e Progressistas ainda não encontrou estabilidade e acumula conflitos em diversos estados. O caso mais recente é no Paraná, onde o PP vetou o apoio à pré-candidatura de Sergio Moro ao Governo.

A reação foi imediata. O presidente nacional do União Brasil, Antônio Rueda, classificou o veto como arbitrário e inaceitável. Ele afirmou nas redes sociais que o partido seguirá insistindo na homologação da candidatura de Moro, que aparece liderando as pesquisas no estado. Segundo Rueda, a intenção é manter o diálogo com o Progressistas no âmbito da federação para buscar uma saída que seja viável para o Paraná e preserve o funcionamento do bloco partidário.

O episódio expõe a dificuldade de acomodar interesses regionais distintos dentro da federação e ajuda a explicar por que líderes do União Brasil, inclusive no Acre, têm trabalhado para evitar novas perdas e reforçar alianças locais.

Por aqui parece diferente

No Acre, porém, o clima é diferente. Aqui, Progressistas e União Brasil caminham em sintonia. O presidente nacional do PP, Ciro Nogueira, é um dos principais defensores da candidatura de Mailza Assis ao Governo e mantém com ela uma relação pessoal antiga. Do outro lado da federação, o vínculo também é forte. Fábio Rueda, irmão de Antônio Rueda, presidente nacional do União Brasil, ocupa a Secretaria de Relações Federativas no governo Gladson/Mailza.

Os dois grupos se misturam na prática e compartilham o mesmo projeto político no estado, o que até agora tem evitado os conflitos que surgiram em outras regiões do país.

Direita e Centrão freiam a candidatura de Flávio Bolsonaro

A escolha de Jair Bolsonaro ao anunciar o filho, Flávio Bolsonaro, como seu candidato à Presidência expôs um incômodo imediato entre partidos de direita e do Centrão. A reação ficou evidente no jantar realizado na casa de Flávio, em Brasília, nesta segunda-feira (8).

Participaram do encontro os presidentes do PP, Ciro Nogueira, e do União Brasil, Antonio Rueda. Ambos deixaram claro que ainda precisam discutir de forma mais profunda a pré-candidatura dentro de suas siglas. Não houve adesão automática.

O próprio líder da oposição no Senado, Rogério Marinho, que também esteve presente, afirmou que o lançamento de Flávio não teve confirmação imediata de apoio do PP e do União Brasil. A presença das lideranças sinalizou disposição para diálogo, mas também mostrou que os partidos querem tempo para avaliar se é viável embarcar no projeto.

O movimento revela que, por enquanto, a direita tradicional e o Centrão não demonstram entusiasmo com a ideia de Flávio como nome único do campo bolsonarista para 2026.

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