A jornalista Marina Demori tem histĂłria pra contar. Em entrevista no Programa Flávio Ricco da LeoDias TV desta terça-feira (2/12), ela revisitou um dos capĂtulos mais difĂceis de sua trajetĂłria profissional: a cobertura da pandemia de Covid-19, quando houve mistura de medo, incerteza e responsabilidade informativa.
Ricco abriu o tema perguntando se aquele perĂodo aterrorizante abalava mesmo os jornalistas mais preparados. Marina nĂŁo hesitou ao afirmar que sim. Ela lembrou que vivia um relacionamento com um profissional da saĂşde, o que tornava a rotina ainda mais delicada. “Eu saĂa de casa todos os dias pra trabalhar e na Ă©poca eu tinha relacionamento com uma pessoa que era da área da saĂşde. TĂnhamos uma dinâmica para administrar e evitar qualquer tipo de contato com outras pessoas. Minha famĂlia mora em Goiânia e eu estava no interior a trabalho, entĂŁo fiquei meses sem ver meus pais e meus avĂłs”.
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AlĂ©m do isolamento familiar, o trabalho em campo exigia adaptações extremas. “No trabalho tambĂ©m era desafiador, porque estava com meu cinegrafista mas usávamos o tempo todo máscara e uma Ă©poca um visor na frente do rosto, um plástico, uma coisa horrorosa. Eu sĂł tinha contato com o meu cinegrafista e os outros colegas, a gente nĂŁo se encontrava”, descreveu. Marina contou que sĂł tinha contato direto com seu cinegrafista e que a redação criava escalas rĂgidas para impedir qualquer aproximação entre colegas.
A jovem jornalista, ainda consolidando o inĂcio de sua carreira, enfrentou cenas que marcaram profundamente sua memĂłria emocional. “Foi um perĂodo de muito medo. Tive que ir para porta de hospitais mostrando a situação alarmante, fazer matĂ©rias com pessoas que perderam parentes. Foi muito assustador e muito difĂcil tambĂ©m”, contou ela.
Ao ouvir o depoimento, Flávio Ricco compartilhou a experiĂŞncia da prĂłpria famĂlia. “Eu tenho uma nora infectologista. E a tristeza que carrega pra casa Ă© um negĂłcio indescritĂvel”, comentou, reforçando a dimensĂŁo do trauma vivido por profissionais da linha de frente.
Marina entĂŁo revelou o episĂłdio que, para ela, tornou aquele perĂodo ainda mais doloroso: a internação do pai. “Eu graças a Deus nĂŁo perdi ninguĂ©m, mas meu pai ficou 17 dias entubado e foi naquela Ă©poca que os hospitais estavam lotados”, relatou.
O diálogo destacou nĂŁo apenas os desafios do telejornalismo em uma crise sanitária global, mas tambĂ©m a intersecção entre vida pessoal e responsabilidade profissional que marcou a rotina de milhares de jornalistas naquele perĂodo.
Em 2025, o vĂrus da Covid-19 continua circulando globalmente, embora com intensidade bem menor do que nos picos da pandemia. Segundo dados recentes da World Health Organization (OMS), no Brasil, por exemplo, entre janeiro e setembro de 2025 foram computados 7.114 casos graves e 1.080 Ăłbitos. Apesar da queda relativa, especialistas alertam que o vĂrus permanece como uma ameaça constante, pois a mutação persiste.






