Ministério homologa tombamento definitivo do prédio do Dops, no Rio

Por AgĂȘncia Brasil 30/12/2025


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O tombamento definitivo do antigo prédio do Departamento de Ordem Política e Social (Dops), situado no Rio de Janeiro, foi homologado pelo Ministério da Cultura, em ato publicado no Diårio Oficial da União (DOU) nessa segunda-feira (29).Ministério homologa tombamento definitivo do prédio do Dops, no RioMinistério homologa tombamento definitivo do prédio do Dops, no Rio

O tombamento do imĂłvel foi aprovado pelo Instituto do PatrimĂŽnio HistĂłrico e ArtĂ­stico Nacional (Iphan) em novembro deste ano. Inaugurado em 1910 para sediar a Repartição Central de PolĂ­cia na capital do estado, o prĂ©dio abrigou o DOPS, no perĂ­odo de 1962 a 1975, onde foram praticadas torturas e violĂȘncias contra presos polĂ­ticos durante a ditadura militar. Ali tambĂ©m funcionou o Acervo Nosso Sagrado, que reunia objetos de religiĂ”es de matriz africana, que acabaram confiscados durante açÔes contra terreiros de candomblĂ© e umbanda na cidade, registradas entre os anos de 1890 e 1946.

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Na ocasiĂŁo do tombamento, o presidente do Iphan, Leandro Grass, destacou que o ato homenageava “aqueles que foram torturados, perseguidos, mortos ou desaparecidos por lutarem pela liberdade. Ao tornĂĄ-lo patrimĂŽnio, contribuĂ­mos para que as geraçÔes presentes e futuras nĂŁo repitam os erros desse perĂ­odo”.

O Dops é o primeiro bem reconhecido como lugar de memória traumåtica pelo Iphan. Outros imóveis deverão ser objeto de anålise pelo instituto, com vistas também a seu tombamento como patrimÎnio. Destaque para o DOI-CODI, no Rio de Janeiro e a Casa da Morte, em Petrópolis (RJ); e o Casarão 600, em Porto Alegre, todos usados durante o período da ditadura militar no Brasil.

Sobre o Dops


Rio de Janeiro (RJ), 11/11/2025 - Foto feita em 24/11/2014 – PrĂ©dio da antiga sede do Departamento de Ordem PolĂ­tica e Social (Dops), durante visita da ComissĂŁo da Verdade, em 2014, na Rua da Relação, no centro do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/AgĂȘncia Brasil

PrĂ©dio da antiga sede do Departamento de Ordem PolĂ­tica e Social (Dops), durante visita da ComissĂŁo da Verdade, em 2014 – Tomaz Silva/AgĂȘncia Brasil

Inaugurado em 1910, de inspiração francesa, o edifĂ­cio foi construĂ­do para ser a sede da PolĂ­cia Federal da Ă©poca. Possui carceragens, com celas solitĂĄrias e salas de depoimento com isolamento acĂșstico, por exemplo. A posse Ă© do governo federal, mas o imĂłvel estĂĄ cedido para a PolĂ­cia Civil do Estado do Rio de Janeiro desde a dĂ©cada de 1960, sob a condição de uso para fins policiais e com a obrigação de preservação do imĂłvel.

Durante os anos de repressĂŁo, uma sĂ©rie de ativistas polĂ­ticos passaram pelo Dops. Entre eles, Nise da Silveira, Abdias Nascimento e Olga BenĂĄrio — enviada a campos de concentração nazistas na Alemanha —  na ditadura do governo de Getulio Vargas, entre 1937 e 1945, assim como Dulce Pandolfi, na ditadura civil-empresarial-militar, entre 1964 e 1985. Nesses perĂ­odos, de acordo com o Iphan, o local se transformou em um palco de prisĂ”es, interrogatĂłrios e torturas que marcaram a histĂłria.

O primeiro pedido de tombamento do Dops foi feito em 2001, pela Associação de Amigos do Museu da PolĂ­cia Civil, com a intenção de preservar o monumento arquitetĂŽnico. Mas a solicitação caminhou a passos lentos. Em 2025, acionado pelo MinistĂ©rio PĂșblico Federal (MPF), o Iphan concluiu o processo, endossado tambĂ©m por organizaçÔes da sociedade civil. As entidades veem o prĂ©dio como sĂ­mbolo da violĂȘncia do Estado.

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