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Moradora faz café da manhã para garis há anos em Rio Branco: ‘Faço tudo que posso’

Por Vitor Paiva, ContilNet

Há mais de quatro anos, uma rotina simples transformou a relação entre uma moradora e os trabalhadores responsáveis pela coleta de lixo em uma rua de Rio Branco.

Aos 67 anos, Nordijan Montenegro passou a preparar café da manhã para os coletores de lixo que atuam na região, criando um vínculo marcado por cuidado, escuta e solidariedade.

Dona Nordijan Montenegro promove esse café há anos/Foto: Cedida

Segundo a filha, Anna Montenegro, o gesto surgiu de forma natural.

“Minha mãe é uma fofa. Ela sempre prepara café da manhã para os meninos da coleta de lixo da nossa rua”, contou.

Com o tempo, a relação deixou de ser apenas um cumprimento rápido.

“Eles têm por ela um carinho gigante. Sempre que passam, a cumprimentam, conversam com ela, a chamam de tia”, relatou.

Nordijan convive com uma síndrome radicular na perna, o que limita sua mobilidade. Por isso, a suíte dela fica no térreo da casa.

Anna explica que, em algumas ocasiões, a mãe demorava a chegar ao portão para colocar o lixo.

“Eles perceberam que ela ia devagarinho e passaram a esperar. Já sabem disso. Às vezes ajudam ela a sentar na cadeira enquanto tomam café na companhia dela”, disse.

O vínculo foi se fortalecendo ao longo dos anos.

“É sempre, sempre que ela prepara café para eles. Já faz mais de quatro anos que ela faz isso”, afirmou a filha. O carinho também se traduziu em doações.

De acordo com Anna, a mãe já entregou geladeira, sacolão, roupas e sapatos aos trabalhadores.

“Ela os tem como amigos e eles, por sua vez, retribuem esse carinho”, destacou.

Um episódio em especial marcou a família. Um dos coletores de lixo, mais velho, comentou que a esposa estava doente e fazia tratamento fora do estado.

“Ele contou a situação para minha mãe e ela se comoveu. Entrou em casa, separou os pijamas que tinha e mandou para a esposa dele”, relembrou Anna.

Mesmo depois de o trabalhador sair da rota da rua, a relação permaneceu.

“Outro dia ele voltou só para visitar minha mãe e contou que a esposa já estava em casa. Aí a mamãe mandou uma cesta básica de Natal pra ele. Ele ficou tão feliz”, contou.

Para Nordijan, a atitude é uma forma de reconhecimento.

“Se não posso fazer tudo, faço tudo o que posso. Os meninos estão aqui para nos servir debaixo de chuva e sol. Por que não retribuir com o mínimo o que eles fazem por todos nós?”, afirmou.

Ela reforça que o gesto vai além do café.

“Eles são meus colegas, me escutam, me ajudam. Recebê-los com um café da manhã é o mínimo a ser feito. Devemos cuidar de quem cuida da gente”, completou.

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